quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Tenho um íman para gente descompensada

No dia da consulta, fui passear o Mojito até um relvado grande que existe aqui ao pé de casa. Lá, encontrei uma vizinha com quem costumo falar e que agora também tem um cão. Enquanto os dois rafeiros corriam que nem doidos, nós lá íamos pondo a conversa em dia. Os bichos, de quando em vez, deparavam com uns buracos que outros cães já fizeram nesse relvado, e punham-se a escavar. E lá íamos nós, a correr, tirá-los de lá. Os bichos insistiam, nós reprimíamos, e assim ia a nossa vida. Nisto, ouvimos uma voz de homem vinda de cima, aos gritos:
- Isso não pode ser! Suas irresponsáveis! Há crianças que brincam aí e se magoam nos buracos!
Olhei para cima (seria Deus?), e vi um fulaninho num último andar, de mãos na cintura, a fazer aquela peixeirada. Ainda pensei responder-lhe mas depois cuidei que, nestes casos, é sempre mais irritante para um provocador não receber troco (por muito que a acidez do meu estômago comece logo a crescer, que sou pessoa pouco dada a levar desaforos para casa). Continuámos por ali, até que ele aumentou o tom e principiou num verdadeiro berreiro. Volto a repetir: os nossos cães não escavaram os buracos, apenas se sentiam irremediavelmente atraídos por eles, mas nós apressámo-nos sempre a retirá-los de lá.
Olhei então para cima, expliquei ao "senhor" que não me conhece de parte alguma para estar a falar comigo daquela maneira e foi então que ele galopou nos impropérios, vociferados com uma violência incomum, mandando-me "desaparecer". Fiquei a pensar que, de facto, há coisas que o dinheiro não traz. Aquela alma até pode ter massa para comprar aquele último andar, provavelmente uma boa casa, mas desgraçadamente o seu poder económico não lhe permitiu adquirir educação, nível, polimento. Pôr-se assim aos gritos da janela, a incomodar duas senhoras, uma das quais grávida, revela toda a sua falta de chá.
Saí dali a imaginar que ele descia, que me ameaçava, e que eu lhe dava uma valente coça, grávida e tudo. Às vezes há um instinto violento dentro de mim, confesso. Sinto aquela raiva a crescer e só me consigo ver a desferir golpes de uma qualquer arte marcial, deixando o outro imobilizado e com cara de idiota. Aaaaaah, como eu gostava!

Ontem voltei a passear o bicho no mesmo sítio e lá apareceu o cretino. De novo aos urros da janela. Dá ideia que não tem vida (apesar de ser um fulano novo) e que fica à espera que eu chegue para ter o seu momento de existência. Está visto que vou ter de ir passear o animal para outro lado. Ou então inscrever-me no Krav Maga e despachar este tipo em três tempos. 

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Tarde de miúdas

E o que eu gosto desta miúda?
E o que me divirto sempre que estamos juntas? Sim, deve ser kármico! :)
Mais uma bela tarde em boa companhia. 


Sobre a consulta de ontem

A consulta acabou por ser às 22.30 e eu, armada em parva, não jantei. Na sala de espera havia uma televisão e, na televisão, passava um Masterchef qualquer e havia comidas com tão bom aspecto que quase podia sentir-lhes o perfume. O meu estômago roncava. Quando o médico nos recebeu disse que devia ter jantado, ao que lhe respondi que havia ali muita reserva onde o baby M ir buscar alimento, que fosse esperto e que se fizesse à vida, ora essa. De seguida, mandou-me para a balança. E foi então que pôde verificar que sim, efectivamente havia ali muita reserva de alimento. Esta menina enchouriçou nada mais nada menos que 5 quilos num mês. Sim, leram bem: 5 quilogramas em 30 dias. E perguntam vocês: mas tens comido banha às colheres? Frascos de Nutella? Deu-te para lamber manteiga? Não senhor. Acontece que eu sou aquela pessoa que ou controla rigorosamente o que come e, ainda assim, no dia em que faz uma asneira incha como um balão de ar quente, ou se porventura se põe a comer sem pensar muito… transforma-se num gigantesco insuflável. É isso que tenho feito. Se me apetece um gelado, como. No dia seguinte, mesmo que me apeteça tento não comer. Mas se me dá vontade de comer hidratos à noite como (coisa que não acontece quando não estou grávida). E se tenho ganas de batatas fritas… permito-me. E as cerejas e os pêssegos, tão calóricos. "Ah, se conseguir comer só uma taça pequenina…" Qual taça pequenina, senhor? Eu como uma malga de cerejas das grandes e, no final, ainda sou capaz de repetir.
Valeu-me a segunda parte da consulta, que foi ver o meu bebé. Medições certinhas, 550 gramas de gente, e uma carinha amorosa a fazer lembrar o Martim. Tão querido… Por mais filhos que venham é sempre tão comovente ver os nossos bebés dentro da barriga, ouvir o bater do seu coração, perceber como crescem, como começam a ter feições que reconhecemos, como tudo se organiza para que os medos se vão dissipando e nos vamos afeiçoando a eles, num amor tímido e meio assustado primeiro, mas cada vez maior até quase não caber dentro do peito.
Bom, agora é tentar controlar esta matraca. Ah tens fome? Bebe água.
A ver se conseguia evitar chegar às duas dezenas de quilos enfardados, que nem faço colecção nem tenho 20 anos para depois os perder. 

Olá, querido baby M




segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Cheira-me a noitada

A consulta estava marcada para as 16.30. Claro que já sabíamos que nunca seria às 16.30.
Às 14h, recebemos o primeiro telefonema:
- Olá! Consulta adiada para as 18.30!
Ok.
Entretanto, já recebemos mais 3 mensagens:
19.30.
20.30.
21h.

Será que fica por aqui?
Ai, Baby M… vejo-te mais logo… 

Bem-vindo, Mojito!

Fomos buscá-lo ao hotel, onde passou o fim-de-semana (cão chique a valer, este vira-lata).
Mal me viu, urinou-se nas minhas pernas e pés. Atendendo a que estava com umas sandálias… foi um prazer sentir aquele quentinho invadir-me os dedos… A seguir, cumprimentou o Ricardo da mesmíssima maneira (mas a ele não lhe chegou aos pés, apenas aos sapatos). Depois, e apesar de não lhe terem dado comida no hotel, enjoou e vomitou bílis no carro. Parámos para limpar, para passear um bocadinho com ele, a ver se lhe passava o enjoo antes de seguirmos viagem (eu não digo que o tipo é fino?). Foi então que o Ricardo suspirou:
- Bem-vindo, Mojito. Já fizeste xixi em cima de nós, já vomitaste, já vi que os bancos estão carregados de pelo… Devo agora contar que cagues o carro, para ficar o cenário completo?

(eu ri-me. Baixinho, para não o enervar ainda mais, mas ri-me…)


Espelho meu, espelho meu

A minha filha Madalena é muito polivalente. Por um lado é super feminina, adora ganchos, colares, saias de tule, camisolas com brilhantes (é até preciso pôr-lhe algum travão para não se transformar numa árvore de Natal), mas depois não acha piada às brincadeiras das meninas nem às meninas propriamente ditas. Tem muito mais amigos rapazes e gosta de Invizimals, aranhas e barcos telecomandados.
Ainda assim, gosto do seu lado feminino, confesso. Para gajos já cá tenho três (em breve 4). E, por isso,   diverti-me muito quando, na sexta-feira, acabámos as duas a arranjar mãos e pés.




É claro que isto foi uma gracinha… a miúda tem 5 anos!!! Mas que foi um prato vê-la a encarnar o papel de diva… isso foi.

Hoje é dia de...

… ir à consulta mensal e espreitar Baby M.
Ainda bem porque ando cheia de contracções e sempre quero ver o que me diz o querido Dr. Fernando Cirurgião. Morro de medo que o meu útero rebente, na zona das anteriores cesarianas, sobretudo quando olho para a minha barriga e a vejo tão grande (e ainda a faltar taaanto tempo até ao final). Uma das coisas que o médico sempre me disse foi que teria de evitar, a todo o custo, a existência de contracções, pelo que temo que me mande ficar imóvel como uma pedra.
Também tenho medo que o Baby M decida nascer antes do tempo, com tudo o que isso implica. Bom, para já implicava morrer, o que era muito triste. De qualquer maneira, dentro de duas semanas, e apesar de já ser considerado viável, continuava a ser uma desgraça. Conheço alguns casos de grandes prematuros que se safaram sem sequelas, mas depois há outros que não ficam nada bem. Seja como for, o ideal é que se mantenha no forno e eu tudo farei para que assim seja. Mesmo que isso implique… ficar imóvel como uma pedra.


Fim-de-semana celestial (literal e metaforicamente)

Tinha uma reportagem para fazer em Portimão, no sábado. Vai daí e pensámos: e se fôssemos todos? Famílias ciganas dá nisto. Como temos a nossa casa algarvia alugada, decidimos ficar num dos poisos já habituais. E foi tãooooo bom.
















Às vezes pedem-me sugestão de hotéis onde levar mais do que dois filhos (nem sempre é fácil encontrar alojamento para famílias numerosas) e este hotel é sem dúvida uma boa escolha. Tem apartamentos grandes onde cabe a criançada toda, várias piscinas, uma delas aquecida ao ar livre (eles adoram), um Kids Club excelente (há cinco anos que os miúdos conhecem uma das monitoras, que até já foi sua babysitter), está em cima da praia, e ainda há actividades para as famílias (este sábado havia insufláveis, jogos e doces).




Ao final do dia, fui assistir à primeira missa do meu amigo Paulo Duarte. Um ex-comissário de bordo que encontrou a sua vocação na igreja e se tornou… padre. Poderão ler toda a sua história, em breve, na Notícias Magazine. A igreja estava completamente cheia (uma loucura de cheia) e a missa foi muito bonita, até mesmo para mim, uma ateia confessa. O sermão dele foi fantástico e estou segura que é de pessoas como o Paulo que a igreja precisa.



A foto está um pouco torta porque eu estava de pé, espremida entre uma multidão, tentando não cair para o lado com o calor que se fazia sentir. Mas valeu tanto a pena!
(depois aviso quando a reportagem sair)

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Taberna

Ontem descobrimos, pela mão de amigos de sempre, um restaurante que não conhecíamos e que é mesmo para repetir muitas e muitas vezes: Taberna da Rua das Flores (no Chiado). Pequenino, com um atendimento super atencioso, e com petiscos de babar. A pata roxa estava excelente, as amêijoas idem, o Tataki de atum podia vir todos os dias para a minha mesa, e por aí fora. Uma noite boa mas boa.