terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O meu cavalo bravo

É o filho sanduíche, com todos os dramas de ser o ensanduichado. Tem um irmão mais velho, que abre caminho e estreia tudo antes dele e, depois, tem uma irmã mais nova, que trouxe a novidade das meninas a esta casa. Ou seja: não é o mais velho, não é o mais novo, não é o único rapaz e também não é a princesa. Não é fácil. Durante muito tempo, o Martim usou a rebeldia para se destacar. A par com a rebeldia, parecia distante, pouco carinhoso, quase zangado connosco e com o mundo. Depois, foi compreendendo o seu lugar na família, percebeu que o nosso amor chegava e sobrava para todos, adaptou-se, encaixou-se, aprendeu a ter um lugar sem ser à bruta, sossegou. De quando em vez ainda tem as suas inseguranças, é dos três o que tem a auto-estima menos insuflada, e obriga-nos a cuidados extra porque, apesar de não parecer, é o mais sensível e o que mais sofre, ainda que para dentro.
O Martim não é de muitas palavras e carinhos (se bem que está infinitamente mais doce) mas, quando lhe dá para ser meigo, bate os outros aos pontos. Ontem pôs-me a chorar.
- Quando for grande quero ter uma mulher tão bonita como a mãe. E quero gostar da minha mulher como o pai gosta da mãe e que ela goste de mim como a mãe gosta do pai. E quero ter muitos filhos!
Às vezes temos dúvidas sobre o trabalho que vamos fazendo. Depois ouvimos estas coisas e achamos que, se calhar, estamos no caminho certo.
Este filho é o meu cavalo bravo, cada vez mais manso, cada vez mais querido.

Na banheira

Eram duas da manhã e eu sem dormir. O quarto abafado, eu a sufocar, mas nem pensar em abrir a janela porque as minhas amigas baratas gostam de entrar de noite (ainda há dias o Ricardo teve de ir a uma casa vizinha fazer de exterminador implacável - diz que a bicha era de quilo). Roda para um lado, vira para o outro, suspira, senta, deita, torna a virar. Calor, ar saturado, respiração ofegante. "Vou para a sala". Ah, não dá. Senão acordo o cão e ainda acabo a ter de ir à rua de madrugada.
Bom, sei que eram três da manhã e o Ricardo foi dar comigo dentro da banheira, deitada, com água fria suficiente para me tapar as pernas, os braços e parte da barriga. Se fosse mais fofinha era por lá que tinha dormido. Este bafo de Setembro está a complicar-me mesmo com os nervos.

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Mojito, temos de arranjar uma coisa destas



E lá veio ela

Estava a andar de baloiço, quando cheguei. Sorriu e saltou para vir ter comigo. Depois, esteve a mostrar-me a sala, toda orgulhosa, e contou tudo o que fez. Gostou da educadora e da assistente, já tem uma amiga chamada Madalena, não comeu a sopa e odiou os filetes, mas ao lanche bebeu leite branco, sem chocolate, e até gostou. Está aos pulinhos, a cantar e a falar pelos cotovelos, de maneira que posso dizer que correu muito bem, este primeiro dia na escola nova. Até me sinto mais leve. Mas é só impressão…



Um desporto giro a valer

Há um desporto nacional muito interessante chamado o "Ignora a grávida". Não sei se conheciam mas consiste em estar numa fila para pagamento e ignorar estoicamente a grávida que está atrás. O desporto torna-se de alta competição quando a fila em questão é dedicada, justamente, a grávidas. Esta modalidade consiste, então, em olhar para todos os lados menos para a grávida, o que se torna muito difícil quando a mulher em questão tem uma protuberância abdominal gigantesca. Sempre que as pessoas atrás da grávida começam a empurrar e a mulher toca com a barriga, inadvertidamente, no desportista, ele ganha automaticamente vários pontos ao conseguir manter-se imperturbável. Quando o funcionário da caixa topa a grávida e a faz passar à frente, o desportista perde o jogo mas - mandam as regras do fair play - finge-se muito surpreendido por estar ali aquela criatura enorme, que disparate, e ele que nem sequer tinha reparado.
É um desporto muito divertido, barato, e que pode ser praticado de forma individual ou colectiva, sendo que em grupo ainda se torna mais desafiante.
Divirtam-se, desportistas! Que a nova temporada vos traga muitas alegrias!

E lá foi ela

Acordou sozinha com um grande sorriso, a pedir para ir para a escola nova. Enquanto me arranjava, senti que hiperventilava. Atenção, eu é que hiperventilava, não ela. Ela saltitava, contente. O pai foi levar o Martim à escola (já começou as aulas na semana passada) e depois voltou, para irmos juntos levar a Mada. Fomos a pé, cada um de seu lado, e ela toda orgulhosa com a sua mochila novinha em folha e a roupa que escolheu para vestir (coisa rara porque geralmente não lhe dou essa abébia). Chegámos em 5 minutos, a caminhar devagarinho, o que nos pareceu um excelente princípio de conversa. Entrámos na sala, ela deu beijinho à educadora, despediu-se de nós e foi sentar-se lá à frente, ao pé dos meninos que já estavam sentados. A sala era enorme, com janelas rasgadas para um terraço onde florescia uma horta. Fomos espreitar e constatámos que cada sala tem janelas rasgadas para esse terraço, e cada sala ostenta a sua própria horta. Sentimos que podíamos ter ido embora nesse preciso momento mas, como havia pais resistentes, ficámos mais um pouco. Começámos então a vê-la meter conversa à esquerda e à direita, a sorrir aqui e ali, a olhar espantada para uma menina que insistia em choramingar.
Amanhã pode correr tudo mal. Pode dizer que prefere a escola antiga, falar nas saudades dos amiguinhos, pode armar um berreiro. Sei bem que, muitas vezes, não é logo no primeiro dia que o caldo se entorna. É nos dias seguintes. Mas, para já, posso respirar de alívio. Amanhã logo se vê.

domingo, 14 de Setembro de 2014

Ri-dí-cu-lo



Mimimi, o outro menino foi mau, cortou a flor, mimimi, vou dizer à minha mãe…
É que já não se aguenta!

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Este fim-de-semana

Não vamos perder a exposição "Too young to Wed" (Novas Demais para Casar), que termina a 15 de Setembro e está patente no Átrio Central do Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos.
Retratos pungentes sobre uma realidade à qual não podemos ficar indiferentes: os casamentos infantis, precoces e forçados. É preciso tentar salvar cerca de 142 milhões de outras raparigas de igual destino. Por dia, cerca de 39.000 meninas em idade de brincar e ir à escola, ficam noivas e acabam por casar.





TEHANI, 8 ANOS (Iemen)

“Sempre que o via, escondia-me. Odiava vê-lo,” Tehani (vestido cor-de-rosa) relembra os primeiros anos do seu casamento com Majed, quando tinha 6 anos e ele 25. A jovem esposa pousou para a fotografia no exterior da sua casa em Hajjah, com a ex-colega de escola Ghada, também ela uma noiva criança.

http://tooyoungtowed.org/

Acaba de chegar o carrinho novo

E eis que chega o carrinho do baby M. O dos manos estava inoperacional (ferrugem e outras maleitas graves) e foi devidamente reformado. E agora chega a encomenda e eu quero logo juntar as peças mas tenho medo de fazer asneira. Ainda assim, conheço-me suficientemente bem para saber que não vou conseguir descansar enquanto não o tiver montado. É isso e puzzles. E os móveis da Ikea.

Se tudo correr bem vai ficar assim:


Se não correr bem…  ficarei com um carrinho excêntrico e diferente de todos os outros.
Talvez qualquer coisa como isto:

Wish me luck!

O desporto é tramado

Ontem à noite o Ricardo foi jogar padel com três amigos: o Rudy, o João e o Fradinho. Estava a ser impecável, diz o Ricardo, até o João se lesionar. Não liguei muito mas, aparentemente, a coisa foi feia, pelo menos a avaliar pela mensagem que a mulher dele mandou há pouco: "Gostava que me explicassem como é que eu vos mando um marido saudável e vocês me devolvem o Herr Flick! Eu sempre disse que o desporto faz mal à saúde…"
Ah ah ah.