segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Ah, que saudades eu tinha de um comentário destes...

«Really?! Quando temos os valores invertidos não há mesmo nada a fazer. Pôr em risco a vida de um filho que ainda nem nasceu pela futilidade de umas férias?! E não venha com a conversa dos seus filhos e marido não terem férias, porque para este a prioridade deveria ser o bem estar do filho, e as crianças iam ficar tristes, talvez até chorar mas tudo isso passa. Além disso todos já tiveram férias foram a Marrocos, fim‑de‑semana no algarve, casa dos avós, campo de férias, praia, não se pode dizer que seja uma família que passe o ano inteiro fechada em casa a ansiar por 2 ou 3 semanas de férias no verão.
Por isso acho muito triste esta falta de consciência relativamente a um ser completamente indefeso, e espero, pelo bébé que não tem culpa do que lhe calhou em sorte, que corra tudo bem e que estas férias não se tornem num pesadelo e num sentimento de culpa para o resto das vossas vidas.»

A Maria Borges é ou não é um docinho de pessoa?
Vamos então escalpelizar um pouco este comentário tão simpático:

1 - A Maria Borges aparentemente conhece o meu caso clínico a fundo. Pelos vistos, ela sabe mais que o meu obstetra, que por acaso é director de Obstetrícia do Hospital São Francisco Xavier. A Maria Borges viu o meu útero, o meu colo do útero, o meu bebé e até o meu pipi e, por isso, pode opinar com toda a propriedade sobre esta tresloucada vinda para o Algarve. O meu obstetra, grande inconsciente, deu-me ordem de vir de férias, disse que podia, que não havia risco de parto iminente, que ia correr tudo bem desde que cumprisse as suas indicações. Mas a Maria Borges está em poder de outro tipo de informações, muito mais acuradas. E, para ela, isto que eu fiz foi uma verdadeira barbárie e um atentado contra o meu filho por nascer. Venha a CPCJ! Prendam-me ou retirem-me todos os meus filhos, que não mereço menos que isso. E, já agora, enjaulem também o Dr. Fernando Cirurgião, que o que ele fez foi um verdadeiro atentado à Medicina Obstétrica em geral. Como é que deixam gente desta exercer, céus? Como?

2 - Para a queridíssima Maria Borges, eu tenho os valores invertidos por querer algo tão fútil como umas férias em família. Realmente, onde é que eu estava com a cabeça? Passar duas semanas com os filhos, dar-lhes atenção 24 sobre 24 horas, brincar com eles, ter bons momentos em família??? Preocupar-me com o descanso do meu marido, que passou um ano a trabalhar como um demente????Mas que palhaçada vem a ser essa??? Que futilidade, Deus meu! 
Para esta senhora, o facto de o meu médico me ter dito que podia vir não chega. Não! Eu tinha era que ficar deitadinha, fechada entre quatro paredes, para proteger o meu filhinho indefeso. Mesmo que não fosse preciso! Os outros três? Que se lixassem, ora então! Não foram já a Marrocos??? Não estiveram já em casa dos avós e num campo de férias??? Menos, meus meninos! Muito menos, então que garganeirice vem a ser essa???

3 - A Maria Borges conhece a fundo a minha vida de rambóia e acha um excesso estas semanas em terras algarvias. «Não se pode dizer que seja uma família que passe o ano inteiro fechada em casa a ansiar por 2 ou 3 semanas de férias no verão». É isso. Os fins-de-semana chegam muito bem. E aquela semana com as crianças em Marrocos também já está de bom tamanho. Há gente que quer tudo! Não se lhes pode dar a mão que querem logo o braço todo!

4 - Por último… o final! O grande final do seu comentário! Tão bom que é praticamente antológico. Do melhorzinho que já vi por aqui. Passo a repetir, que podia ter-vos escapado alguma parte: «Por isso acho muito triste esta falta de consciência relativamente a um ser completamente indefeso, e espero, pelo bébé que não tem culpa do que lhe calhou em sorte, que corra tudo bem e que estas férias não se tornem num pesadelo e num sentimento de culpa para o resto das vossas vidas.» 
Na verdade, o que a Maria Borges diz nesta poética frase, ainda que disfarçado de "oxalá não te aconteça" é, nada mais nada menos que: desejo que o teu bebé nasça mesmo aí na praia e que morra de tão prematuro que é para aprenderes a lição e viveres o resto da vida com essa culpa em cima dos ombros. 
Só tenho uma coisa a dizer-lhe: acha mesmo, depois deste seu comentário, que eu é que tenho os valores invertidos? Ai, Maria Borges, Maria Borges… Desejo-lhe muita, muita sorte na vida. Vai precisar. Porque com tanta maldade no coração só mesmo a sorte lhe pode valer. 

Warning: correntes fortes aqui dentro

E escusam de dizer que tenho 15 bebés aqui dentro ou que o puto vai nascer com 8 quilos.
Sempre fiz panças medonhas e, à quarta, não havia de ser diferente.
O problema, esse sim, será voltar a ter uma barriga de gente.
Vou precisar de muita ajuda. Divina, até.

Sem Espinhas

Ontem, graças à colaboração dos nossos queridos amigos Rute e João, fomos jantar a dois para comemorar. Queríamos ter ido aos Pezinhos mas só havia mesa para as 22.30, hora a que aqui a gorda já estaria a trincar as canelas dos empregados de mesa. Optámos então por outro clássico, o Sem Espinhas, o que não deixa de ter uma certa graça simbólica: 16 anos juntos e… sem espinhas.


domingo, 17 de Agosto de 2014

16 anos

Ele convidou-me para jantar. Eu fui. A seguir fomos beber uma caipirinha a Santos. E, à saída, ele deu-me um beijo que eu fingi não esperar. Foi assim que tudo começou. Mal sabia ele no que se estava a meter. Desde esse dia 17 de Agosto de 1998 que nunca mais nos largámos e agora temos três filhos (quase quatro) e um milhão de histórias em comum para recordar e partilhar com filhos e netos.
Adoro-te, bicho. Hoje muito mais que há 16 anos. 


Está tudo bem!

O médico deixou-me rumar aos Algarves com a família, prometendo vida calma, medicação a tempo e horas e muita água no bucho. E assim tem sido. Na praia durmo a sesta, em casa estou estendida, às vezes irrito-me por ver toda a gente a fazer coisas à minha volta e eu imóvel, mas foi a promessa que fiz para poder vir, por isso cumpro. Por cá está toda uma turma. Primos, amigos, amigos de amigos. Os miúdos quase choraram de felicidade quando lhes dissemos que tínhamos ordem para vir. E têm ajudado muito - fazem as camas, põem e levantam a mesa, arrumam a roupa. Gritam comigo sempre que me vêem fazer alguma coisa (é verdadeiramente infernal).
O mar está gelado, a temperatura também não está de Agosto, basta dizer que à sombra do chapéu chega a estar frio (durmo tapada). Mas não me queixo. E bebo cada instante como se fosse o último (até porque nunca sei se as contracções não voltam a qualquer momento - elas mantêm-se, mas em pequenas doses, como que para não me deixar esquecer). Dou por mim a aspirar profundamente o perfume da ria, a contemplar o pôr do sol, a apreciar pequenas coisas a que não costumo dar assim tanto valor. Como sempre, tendemos a só valorizar aquilo que não temos ou, no caso, que quase não tínhamos.
Obrigada uma vez mais pela vossa corrente positiva. Apesar de ser pessoa pouco crente nestas coisas, dei por mim a achar que tantos desejos de melhoras ajudaram a que isto fosse possível. O meu lado racional diz que estou a ficar parvinha. Quem sabe? De qualquer modo, não deixarei de vos agradecer o carinho.




quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Mais um que parte

Depois de Robin Williams e Lauren Bacall, morreu hoje Emídio Rangel.
Que Agosto feroz, este...

Recém-nascidos

O fotógrafo Thierry Bouet fotografou recém-nascidos nos primeiros momentos depois do parto. Sem roupinhas, sem laçarotes, sem floreados. O resultado é maravilhoso. Coisinhas mais boas.