Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

E o Lance Armstrong?

Pergunto-me: o que sentiria aquele homem quando cortava as metas? Seria uma felicidade genuína? Mentira de tal modo a si mesmo que conseguia sentir-se realmente exultante por uma vitória que não era inteiramente sua? Quando levantava os braços, na altura exacta de chegar ao destino, nunca terá pensado «Mas que grande intruja que eu sou...»? Quando olhava as taças, na sua casa, que orgulho seria o seu? E quando ouvia referirem-se a si próprio como um «mito», uma «lenda viva», um «fenómeno», o que lhe ocorreria? Em que medida se sentiria realizado, ufano, sabendo que os seus triunfos não eram mais do que fraudes?

Talvez eu goste, afinal de contas, de deuses. De Deuses vivos. Dessa ideia do Homem que se supera, que se faz, que se transcende, fruto de uma conjugação harmónica e quase divina entre talento e esforço. Talvez por isso me entristeça tanto esta história.

20 comentários:

homem sem blogue disse...

Tudo o que ele era e defendia deixou de existir para mim. Sobretudo porque nunca assumiu o erro. Sempre falou mal de quem o acusava. Ele era o único atleta a financiar quem controla o doping só para os calar. Isto é muito feio. E este tipo de casos fazem com que o ciclismo seja uma modalidade em que ninguém acredita em ninguém.

homem sem blogue
homemsemblogue.blogspot.pt

Mufanga disse...

De facto é vergonhoso recorrer a substâncias ilícitas para tentar vencer os limites da força humana. No entanto, acho que ele contínua a ser uma lenda viva, porque num mundo em que todos recorrem ao dopping, e em que todas as equipas investem mais em procurar substâncias que passem despercebidas no controlo anti-dopping, do que em formação para os seus atletas, ele foi o que conseguiu sempre vencer, deixando os seus rivais (que também consumiam substâncias dopantes) a muitos kilómetros (minutos) de distância.

Eugénia Peixoto disse...

Independentemente se ele usava substâncias ilícitas ou não, é um vencedor.
Pois alguém que sobrevive a um cancro espalhado já por varias partes do corpo, com apenas 3% de probabilidade de sobreviver, não existe outra palavra para o descrever além de vencedor ...

Eugénia Peixoto disse...

Independentemente se ele usava substâncias ilícitas ou não, é um vencedor.
Pois alguém que sobrevive a um cancro espalhado já por varias partes do corpo, com apenas 3% de probabilidade de sobreviver, não existe outra palavra para o descrever além de vencedor ...

Sonhos de Algodão Doce disse...

No ciclismo (como em muitas outras modalidades) a dureza das provas e o que é exigido a estes homens ultrapassa o humanamente possível!

Acredito que num plutão do Tour se contem pelos dedos das mãos os que não consomem substancia ilícitas, fazem transfusões ou dormem em câmaras hiperbáricas...

Continuo a olhar para o Lance como um mito, desde sempre suspeitei de dopping, sublinhado pelo desenvolvimento de células degenerativas.

LIVESTRONG

Quel* disse...

E eu que sempre o defendi quando corriam os boatos, sempre acreditei que seria uma jogada para o deitar a baixo, porque achava ridiculo só agora lhe tirarem taças que já ganhou a alguns anos. Mas afinal era verdade. E não me parece que ele se sentisse culpado de alguma coisa, ao ganhar. Se assim fosse, não se dopava. Porque quem se dopa, já sabe que aquilo não é justo, mesmo que não ganhe.

Joana Marques disse...

Infelizmente, no mundo da competição desportiva, muitas vezes só se preocupam em cumprir os objectivos finais, e superar records anteriores, sem se importarem em como lá chegam...

Sara disse...

Continuo a gostar muito do Lance.

Ele de certa forma já pagou pelo que fez. Não percebo como é que ainda não li em lado nenhum uma associação entre o cancro dele nos testículos (altamente ligado a quem usa substância de doping)e o doping em si.

Ele dopou-se, teve cancro muito provavelmente devido a isso, o cancro metastizou de tal forma que a probabilidade de ele sobreviver era ínfima e ele....sobreviveu. Ele venceu uma das maiores lutas de todas e depois disso ainda ganhou a volta à França, de novo. E tenho alguma dificuldade em acreditar que ele aí estivesse dopado (medo pelo que passou).
E de qualquer forma, como alguém já aqui referiu, ele mesmo dopado ganhou aos outros atletas que também estariam, muito provavelmente, dopados.
Isso mostra o atleta que ele era (e é). A técnica que ele usava de controlo de respiração que lhe permitia sempre dar uma abada aos outros nas subidas também tem o seu mérito. Não é só doping.

E o mais incrível é que ele não ganhou uma ou duas vezes. Ganhou sete.

Jorge Freitas Soares disse...

Para a Sara

Não leste em lado nenhuma a relação entre o cancro e o Doping simplesmente porque o cancro foi antes de tudo isto, ele antes do cancro era um ciclista normal e só competiu dois ou 3 anos, se realmente consumiu substancias proibidas, vamos ver o que realmente ele disse na entrevista... foi depois da cura do cancro.

Jorge Soares

João Delicado sj disse...

A pergunta poderia estender-se a todas as personalidades que vão recorrendo a todo o tipo de 'dopings'. E diria que há 'dopings' muito mais perversos que o do Armstrong. Para não ir mais longe, ainda estou para perceber como é que deixamos que o 'doping económico' tome conta das nossas vidas...

Quanto à consciência dos actos: não creio que tenhamos plena consciência do mal que causamos quando fazemos o mal. Não nos corrompemos de repente, corrompemo-nos pouco a pouco, passo a passo, gota a gota, euro a euro... A consciência vai perdendo a sensibilidade e as zonas cegas aumentando até que vemos apenas o nosso próprio umbigo: então estamos prontos para usar todos (todos) os meios para o nosso próprio benefício.

Por isso é que a educação é essencial para a sociedade; por isso é que tem que haver entidades reguladoras a mostrar 'cartões vermelhos' a quem se porta mal...

Paula disse...

Para mim foi mesmo uma grande desilusão!
vidademulheraos40.blogspot.com

Juanna disse...

Conheço ciclistas que foram profissionais. Todos me disseram que é impossível não recorrer ao doping se se quer chegar aos minímos exigidos. Se assim não for, não haveria tours e o caraças. Dizem eles, eu não sei, até porque penso nos tours há muitos anos atrás, não havia vencedores ou os trajectos eram muito mais pequenos ou fáceis? De qualquer das formas, assumindo que a maioria enfia tretas para o corpo, ele era o mais forte e vencia. Mas não é correcto.

Marta disse...

Claro que o que ele fez foi incorrecto. E já foi castigado. Pagou multas perdeu títulos... A questão é que naquele meio praticamente toda a gente o faz. de maneira que a vantagem em relaçao aos outros atletas é muito pequena (acredito piamente que os outros também usassem substâncias para melhorar a sua performance). Sempre considerei o ciclismo de alta competição uma das modalidades desportivas mais duras que pode haver. São provas violentíssimas (longas, sinuosoas, na hora de mais calor...), que implicam recuperações rápidas (depois de uma montanha, no dia seguinte tem que se estar em forma como se nada fosse), não há substituições (como no futebol, por exemplo).
Mas sim, acredito que, ainda que consciente de que tinha tomado substâncias ilícitas, e por lhe ter saído literalmente do corpo, Lance Armstrong tenha sentido uma felicidade genuína em cada meta que cortou, em cada prémio que recebeu.
Marta

Leo disse...

Os deuses às vezes só existem nas nossas cabeças. Nunca considerei o Lance Armstrong boa pessoa. Os comentários pouco bonitos sobre algumas das mulheres que fizeram parte da sua vida fazem-me pensar que, num outro registo, o doping era apenas um meio para atingir um fim. E sim, pode ser um vencedor por ter vencido um cancro, mas isso não faz dele uma pessoa fantástica ou a pessoa mais bondosa do mundo. Basta olharmos para o exemplo do Duarte Lima.

Sonhos de Algodão Doce disse...

Fiquei a saber que num dos titulos que lhe foi retirado apenas o 5º classificado possuia condições para receber o titulo... o resto Dopping!!!

Margarida disse...

De facto, vergonhoso, acima de tudo, para ele próprio.

Lili disse...

Fiquei desolada com esta história.

Beijos
Lili

paulo,sj disse...

Apetecia-me dar um abraço ao Lance! Não estou a ser cínico, nem hipócrita. Estou triste com que o li, vi e ouvi, vergonha até, mas apetece-me, apesar disto tudo, dar um abraço ao Lance.

Não sou ingénuo e o meu abraço não tem que ver com uma “palmadinha nas costas”, como quem diz: “pronto, já passou”. É chocante a notícia dos seus actos vergonhosos, tristes, que anulam sonhos de criança e de adultos. De facto, nenhum ser humano pode ser modelo absoluto ou mitificado. Os ídolos serão sempre de pedra... ou de “carne frágil” (como qualquer ser humano).

Talvez neste momento, o mais duro seria sentir o verdadeiro Perdão por tanto mal que fez. “Olha, aqui vem o cristão!”. Sim, isso... afinal, em quem é que acredito?

Estou cansado, farto até, de ver combater o mal com o mal. Acredito na justiça, na condenação dos maus actos, na responsabilidade pelos mesmos, mas não na condenação da pessoa em si.

Estou triste, muito triste... mas, ainda assim, apetecia-me dar um abraço a Lance Armstrong!

IsaSV disse...

Sou contra o dopping, não o aprovo! Mas ainda considero Lance um grande vencedor, porque dentre todos os dopados, Lance era o melhor!

É muita alienação achar que somente Lance usava o dopping para vencer. Não entendo em que mundo as pessoas vivem em achar que ele é o unico dopado do ciclismo ou dos esportes de alto rendimento!

Volto a repetir, dentre TODOS OS DOPADOS, Lance é o melhor!

IsaSV disse...

Sou contra o dopping, não o aprovo! Mas ainda considero Lance um grande vencedor, porque dentre todos os dopados, Lance era o melhor!

É muita alienação achar que somente Lance usava o dopping para vencer. Não entendo em que mundo as pessoas vivem em achar que ele é o unico dopado do ciclismo ou dos esportes de alto rendimento!

Volto a repetir, dentre TODOS OS DOPADOS, Lance é o melhor!