Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Mães que matam os filhos

Voltou a acontecer. Uma mãe com uma depressão grave matou os dois filhos e suicidou-se de seguida. Uma história tão trágica que me deixa sem ar. Também me deixa sem ar ouvir o psicólogo de serviço na SIC dizer que as fotos do facebook mostram uma família «demasiado feliz». Nas fotos, com efeito, via-se a mãe muito sorridente com os dois lindos rapazes, também a sorrir. O psicólogo disse então: «Demasiado feliz porque quem está feliz não precisa de o mostrar. » Oi? Então isso quer dizer que praticamente toda a população está deprimida? É que praticamente toda a gente que eu conheço apresenta no facebook fotos onde está sorridente e... feliz. Isso quer dizer que, na verdade, todos os meus amigos estão à beira de se matar ou de matar os filhos?
Ai, pá. Para quê estas generalizações? Para quê? Aquela sessão fotográfica daquela mãe com os filhos há-de ter sido um momento feliz. Como outros que terão tido. O que leva uma mulher a um acto destes é algo que espero nunca atingir. Mas deixa-me numa consternação que nem consigo descrever.

19 comentários:

misscalli disse...

Provavelmente foi o Q. A., não? As atrocidades que por vezes diz envergonham toda uma classe profissional.

Raquel L disse...

O que me surpreende (ou não) é o facto de este psicólogo não pensar no impacto e consequências das suas palavras, quando ditas num meio de comunicação.
A generalização e simplificação das variáveis que originaram esta tragédia é, para mim, uma barbaridade.

Arca Trapos disse...

Há jornalistas que mais valiam estar calados.

Numa palestra do Pinto da Costa que assisti, foram mostrados diversos casos destes. A depressão é uma doença muito grave, os comentários foram completamente desnecessários.

Risota disse...

Foi uma noticia que me apertou o coração o dia todo e mais ainda quando a minha filha a ouviu à noite.
Acho que o mundo cor de rosa dela escureceu muito ao perceber que uma mãe também faz mal a um filho.
Esse tipo de idiotices que foram ditas servem para mostrar a credibilidade desses "profissionais". Alguém tem fotos de família tristes (não contam as dos jornais com histórias de mortos e atentados e fomes e misérias)?

Catarina Pereira disse...

Estou tal e qual, "numa consternação que nem consigo descrever"...e estes psicólogos eram desnecessários...

Diana disse...

Fiquei em choque! Ouvi ontem a notícia de fugida porque tinha o meu filho comigo e desliguei o rádio do carro... não tinha percebido a dimensão do caso! É triste demais! Tem que se bater muito fundo no poço, para achar que a única solução é a morte!

S** disse...

Não sei quem foi o psicólogo que disse isso. Misscalli perguntou no primeiro comentário se foi o Quintino Aires, criatura pouco estimada entre a maioria dos psicólogos que conheço e cuja notoriedade na comunicação social ultrapassa a minha capacidade de compreensão. A generalização que ele faz é abusiva, desnecessária e, atrevo-me, bastante incorrecta e infeliz! Se ele se dedicasse um bocadinho mais a conhecer e estudar o fenómeno das redes sociais, talvez pudesse comentar com um mínimo de sensatez, ética e profissionalismo.

Sou psicóloga. Desconheço os contornos deste caso - sei, apenas, o que a comunicação social diz, isto é, um duplo homicídio seguido de suicídio, sendo que uma mãe matou os dois filhos e suicidou-se em seguida. Fala-se em depressão (mãe), fala-se em disputa do poder paternal na sequência da separação do casal... Aquilo que sabemos pela comunicação social não nos permite emitir nenhuma opinião coerente fundamentada sobre o caso. Podemos apenas lançar hipóteses e propôr medidas.
Não sei como nem quem poderia ter evitado isto.
Sei, isso sim, que a saúde mental devia ser uma prioridade em Portugal. Porque as pessoas estão desesperadas (e sim, a crise piora tudo), há pessoas a sofrer sem beneficiarem de qualquer tipo de apoio. Os psiquiatras e médicos de família receitam antidepressivos como quem manda tomar umas vitaminas (ainda há poucos dias foi notícia o aumento do consumo de antidepressivos) sem que os doentes sejam devidamente encaminhados para acompanhamento em psicoterapia.
Os psicólogos continuam a ser vistos como desnecessários, acessórios, descartáveis. A saúde mental é tão importante como a saúde física e não deve, em sociedade alguma, em crise alguma, ser desvalorizada.

Lamento que alguém supostamente em representação dos psicólogos tenha dito o que essa criatura disse. Envergonha-me.
Mas sublinho que não representa a opinião dos profissionais da psicologia que, diariamente, procuram dar o seu contributo - com ética e profissionalismo - para melhorar a saúde mental deste país.

Marta disse...

O dr. Quintino esteve na tvi, a dizer que mães deprimidas não têm forças para pensar nestas coisas más....
Quanto a este psicólogo de que a SMS fala, às vezes também caio nessa tendência. Ainda há poucos dias comentava com uma amiga que me soam sempre a falso aquelas declarações de felicidade e paixão constante nos murais do fb...
Não sei o que se passará na cabeça de uma pessoa quando decide fazer uma coisa daquelas.

ruterata disse...

A felicidade não é uma linha constante...são momentos...momentos, esses, que devem ser aproveitados ao máximo para ganhar energias para as amarguras que a vida obrigatoriamente nos vai colocando no caminho,certo? Eu acho, e não vi a entrevista, que talvez o dito Sr. quisesse deixar a mensagem de que, nem sempre uma foto feliz colocada no FB, seja sinal de felicidade daquela familia ou pessoa. Como ele, disse ou deve ter dito, é preciso estarmos atentos aos sinais ou mostras excessivas de felicidade que nem sempre correspondem à realidade. Mas claro, não se pode generalizar, claro está!

Mariana disse...

Não podia discordar mais do que disse esse senhor. Aliás, como psicólogo deveria saber que, através dos poucos dados a que tem acesso, de modo algum pode tirar conclusões, muito menos generalizar!
Mas, enquanto psicóloga, acredito que este senhor não representa a nossa opinião, felizmente!

Luisa disse...

Oh Sónia,tão triste estas coisas que acontecem,também ouvi o senhor na sic,e pensei o mesmo que a Sónia então não temos momentos de felicidade,principalmente quando estamos com os nossos filhotes,só não consigo perceber o que leva uma mãe a fazer isto,tão cruel,bem o que eu me rio com as conversas da Mada.beijinhos

marta disse...

Um dos problemas por que os psicólogos ainda não são valorizados, é precisamente o facto de muitos, como este senhor mencionado anteriormente, dizerem disparates constantemente na TV.
Em Portugal os jobs for the boys e as cunhas dão lugar à meritocracia (que em Portugal pura e simplesmente não existe) portanto os lugares de responsabilidade são entregues a pessoas, não pela sua competência, que depois fazem estragos sérios, ainda mais nesta área da saúde... e depois é o descrédito total...para não falar nas consequências que daí advém...

Marta

Lia de Azevedo disse...

Na RTP1 estão a falar sobre isso no 360...

Lia de Azevedo disse...

Na RTP1 estão a falar sobre isso no 360...

Ana Rita disse...

para falar a verdade, também acho que certas coisas gritam falsidade, como alguns casais que passam o dia a mandar declarações de amor um ao outro...se vivem juntos, podem dizer e mostrar isso em privado, sem essa necessidade de mostrarem a felicidade aos outros.
quanto às fotos já não concordo, nunca tirei fotos a chorar nem em funerais, o normal é termos fotos de momentos felizes.

quanto a um comentário que li acima acerca de antidepressivos, eles são receitados sem acompanhamento psicológico porque muita gente não pode suportar os custos das consultas e então recorre aos medicamentos pra conseguir aguentar-se. infelizmente o acesso gratuito a consultas de psicologia e psiquiatria é quase inexistente. e falo com conhecimento de causa, que tomei comprimidos durante muito tempo até poder pagar consultas no privado.

Ana Rita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Rita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
~inês disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sandrab disse...

Como? Há razões para uma mãe matar um filho??? Pressões, ex-companheiros, o que é isso comparado com o bem estar dos nossos filhos. Perto ou longe, o importante é que estejam bem. Pelo que ouvi deste caso, pareceu-me apenas um acto de egoísmo...
E se, como se diz no comentário anterior, há aí muita gente "calada e com vontade de fazer o mesmo", por favor, peçam ajuda ou deixem que alguém cuide dos filhos. Antes que aconteçam barbaries como estas...