A todos os que partilham a história do dador que desistiu... peço-vos: não julguem. Não atirem pedras. Vocês não sabem o que se passou. Pode ter-se assustado. Pode ter descoberto um problema de saúde. Pode um sem-número de coisas que nós não temos conhecimento. Se queremos que ele reconsidere, bora não atacar? Eu sei que estamos todos em crise, que estamos todos sedentos de sangue, de julgar os outros, de largar à dentada por qualquer coisa, seja uma mala Chanel, seja um tom afectado de voz, seja uma palavra fora do sítio, seja uma pessoa com dúvidas e receios perante algo que, a nós que estamos sem esses sapatos calçados, nos parece impossível. Eu sei que estamos assim, com os nervos à flor da pele, capazes de nos atirarmos ao pescoço do primeiro que se puser a jeito. Mas... não é isso o que importa agora, pois não? Agora importa partilhar a mensagem para que este dador, se não tiver nenhum motivo de peso, possa reconsiderar. Se o apedrejamos... é pouco natural que ele reconsidere. Certo?
Obrigada.
O post relativo a esse assunto está AQUI.
22 comentários:
Sónia, desculpe mas quando li o seu primeiro post sobre o assunto achei que já era uma forma de o julgar... não será? Se a pessoa tem dúvidas, deve ser acompanhado por alguém próximo e por pessoas especializadas. Se as redes sociais começarem a pressioná-lo...não sei se dará bom resultado. Não li os comentários ao referido post, mas aposto que foram cheio de acusações...
Claro! nem deveria ser necessário escrever isto Sónia!!!
Claro! nem deveria ser necessário escrever isto Sónia!!!
Simplesmente Ana: não. Não era uma forma de o julgar. Era para partilhar e, assim, se lhe chegasse aos olhos podia ser que alguma coisa mudasse. Que se fizesse um clique. O clique que faltava. Só isso. No meu post não havia julgamento. Havia um pedido de reconsideração. Todos temos direito a ter dúvidas.
mas é uma faca de dois gumes a utilização das redes sociais para este efeito... a sónia fez bem em lançar o apelo e senti logo ali não um julgamento, mas um implícito pedido para não apedrajarem a pessoa em praça pública
Para refletir: http://diasdetelha.wordpress.com/2013/01/15/o-dador-e-os-seus-direitos/
Eu acho feio haver este tipo de pressão - já se está a julgar.
Caso leiam os textos todos quando se tornam dadores de medula estamso sempre no direito de recusar.
É neste momento que acho tão maus as redes sociais, os blogs: porque querem por coacção obrigar uma pessoa a fazer algo (que legitimamente ou nao) que não quer fazer.
Feio, muito feio.
por isos não concordo com o teu post anterior, nem com este, nem com tantos que já vi na blogosfera.
Espiral: tem graça. Quando apareceu o dador, toda a gente reconheceu o papel das redes sociais para chamar mais a atenção para a doação de medula. Agora que se passa isto, já é tudo uma porcaria... pois eu não concordo. Não julguei a pessoa. Só gostava que ela reflectisse e, se não houver um motivo que realmente a impossibilite, gostava que reconsiderasse. Se não reconsiderar, o Gonçalo pode não sobreviver. Caramba... Não é uma coisinha sem importância. É só a diferença entre estar vivo ou não. Porque não tentar pressionar um pouco? Não é para lhe curar o acne! É para lhe devolver a vida!
"Só pode ser uma pessoa mal acompanhada, mal informada e muito mal aconselhada."
"É preciso explicar ao dador que ele fará a diferença entre a vida e a morte. É preciso explicar-lhe que não se dá esperança de vida para depois se tornar a tirar. É preciso perguntar-lhe como é que vai dormir, daqui para diante. E pedir-lhe, rogar-lhe para que faça aquilo que é certo."
e volto a destacar: "É preciso perguntar-lhe como é que vai dormir, daqui para diante."
Se isto não é julgar, o que é que é?
Tentar que o/a (ex-)dador abra o Facebook/email/... e encontre um texto a pedir para reconsiderar a sua decisão não é, de certa forma, uma forma de ataque?
Se desistiu devido a um problema de saúde ou algo do género não é o Facebook que o/a vai fazer reconsiderar. Para além que as doações são voluntárias, não à força!
Alguém sabe se é um dador ou uma dadora? E se for uma mulher que na altura que se tornou dadora tinha todas as condições para o ser, mas que entretanto engravidou, por exemplo? Vocês eram capazes de pôr a vossa vida em risco e AINDA a vida do vosso filho em risco?
Há tantas e tantas hipóteses, não adianta crucificar essa pessoa.
É... agora sou eu a nojenta, por tentar ajudar um rapaz a salvar-se. É isso.
Impossível julgar a pessoa. E se lhe disseram que o filho também precisava de algo dele e teria de escolher entre um e outro? Caramba, caramba, caramba. Há mil razões, se calhar foi por puro egoísmo, se calhar não, quem sabe?
Tudo isto é falso : https://www.facebook.com/photo.php?fbid=560418107320021&set=a.217865641575271.70360.216964194998749&type=1&theater
Sónia, tenha calma. Ninguém a está a destratar :)
O que acontece é que muitas vezes dizemos as coisas na emoção, e na emoção não somos capazes de escolher as melhores palavras. Eu, quando li " Só pode ser uma pessoa mal acompanhada, mal informada e muito mal aconselhada. ", também interpretei como uma crítica.
Mas se o meu primeiro pensamento foi: "como é que alguém se recusa a dar vida?", o segundo foi: "calma... não te precipites. Pode ser um canalha, sim, ou alguém cuja vida não conhecemos".
Nunca sabemos a história toda, Sónia.
E o seu post, bem intencionado e bem escrito, foi fácil e naturalmente interpretado como uma crítica À recusa do dador.
Não é nojenta, nem nada que o valha. Apenas humana, e com uns tropecinhos nas palavras de vez em quando - como todos nós :)
Se é falso... então os amigos da família são uns mentirosos engraçados. Eu falei com a mãe do Gonçalo que, sem confirmar, confirmou.
A mãe disse-me que o Gonçalo estava muito revoltado e que não queria falar mais do assunto. Ora... isto é confirmar sem confirmar. Mesmo que agora surjam outras versões.
Eu acredito no poder positivo das redes sociais como também consigo ver o negativo.
E sim, esta é a fase negra: as pessoas armadas em juízes e a coagir alguém.
Não tenho filtros cor-de-rosa. E vejo que há fronteiras perigosas entre o querer ajudar e o ser juiz (ou Deus)
Nada contra a Sónia, a minha crítica foi abstrata.
Cumprimentos.
Tens razão Sónia. A pessoa deve reconsiderar, sem ser julgada. Ninguém sabe o que se passa com a pessoa, com a sua família, com a sua saúde. Queremos apenas que reconsidere.
vidademulheraos40.blogspot.com.
Eu não disse que a Sónia "é nojenta", de todo. ;)
Sónia, através do link não dá para aceder mas é desmentido na página do facebook do instituto português do sangue essa informação.
Conheço bem a Sónia. Tudo o que ela faz é com as melhores das intenções. Ajuda toda a gente e há muitos que lhe agradecem todos os dias. Que ninguém tenha dúvidas que tudo o que quer é ajudar um garoto de 15 anos, porque tem filhos e imagina (muito) facilmente a dor da mãe do Gonçalo. Aliás em posts no Facbook, foi a primeira a dizer que não devemos julgar o doador. Textualmente afirmou: "(...) eu não vou julgar. A gente não sabe... há medo, pode haver pressão familiar, pode ter surgido um impedimento qualquer... Só era bom que reconsiderasse. Ou então que aparecesse outro."
Aqui temos uma grande mulher que faz jornalismo credível e emocional, mas isento de julgamentos e de preconceitos.
Esta é a jornalista que conheço. E que admiro. Esta é a mãe que conheço. E perante a qual me vergo.
Sónia, eu sei que tem as melhores das intenções. Apenas acho que pressão por parte de quem a lê possa não ajudar. Não sabemos as rezões...
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