A crise parece trazer consigo mais casos de separações e divórcios. Os jornais dizem que há efectivamente um aumento, não sei, não vi os dados, mas a verdade é que, perto de nós, temos conhecido uns casos e ouvido falar de outros tantos. De repente, parece que está tudo doido. Casais que pareciam tão bem (como se os casais fossem parecer mal no meio da rua), casais onde parecia reinar a harmonia (como se a desarmonia fosse dar-se assim, aos olhos de qualquer um), gente que aparentava ser feliz (como se entre aquilo que se aparenta e aquilo que efectivamente é não existisse, por vezes, um milhar de quilómetros de distância). Já diz o ditado: quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro.
Os miúdos também vão ouvindo as histórias de divórcio e é assim que temos cá por casa um Martim mais sensível, muito mais amoroso, que até dá beijos e até se deixa beijar, que se aninha e pede mimos, coisa muito pouco habitual nele. Ontem, eu e o pai tivemos uma ligeira troca de palavras, mais tortas do que é costume, e de repente vimos os olhos dele muito fixos em nós. «Vocês... vocês... vocês estão a discutir?» Não estávamos. Não chegou a ser uma discussão. Podia ter sido (que também as temos), mas não foi. Mas ele, que anda de cristal com tudo isto, há-de ter pensado «queres ver que agora são estes?» A verdade é que todas as notícias que a crise traz por arrasto também mexem com as crianças, que vão ouvindo aqui e ali e que misturam tudo, numa espécie de Bimby da ingenuidade. O resultado há-de ser um bolo estapafúrdio que é, na verdade, o que tudo isto parece.
6 comentários:
Toda a razão Cóco... subscrevo. Desde que fiquei desempregada, a minha piolha (8 anos)passou a aperceber.se e toda uma realidade e mecânica que tem a nossa via. Por mais que seja óptimo que cresçam sem caprichos e o menos consumistas possível, acho que os miúdos mereciam não ter que se aperceber tão cedo desta tensão e estado de espírito que o país sente. Tenho fito os possíveis para que ela absorva tudo isto em doses «children friendly» ;) Challenging!
Toda a razão Cóco... subscrevo. Desde que fiquei desempregada, a minha piolha (8 anos)passou a aperceber.se e toda uma realidade e mecânica que tem a nossa via. Por mais que seja óptimo que cresçam sem caprichos e o menos consumistas possível, acho que os miúdos mereciam não ter que se aperceber tão cedo desta tensão e estado de espírito que o país sente. Tenho fito os possíveis para que ela absorva tudo isto em doses «children friendly» ;) Challenging!
Os miúdos prenderam a ter MEDE. Medo da crise, do possível divórcio dos pais, medo de tudo.
E por mais que os queiramos proteger não conseguimos proteger deste medo.
vidademulheraos40.blogspot.com
Pois é, eu também tenho visto muitos casais de muitos anos a terminarem relações que ninguém esperava. Acho que se calhar, em alguns casos, tem um bocado a ver com as alterações monetárias que têm afectado muitas famílias. Há partes da personalidade ou formas de agir que vêm ao de cima quando há problemas de dinheiro, de desemprego, de frustração - e alguns casais não aguentam essas alterações/revelações. Comigo aconteceu... Quando fiquei sem trabalhar descobri coisas novas sobre mim e sobre o meu namorado, e a redução do orçamento familiar causou algumas ondas... Felizmente temos conseguido crescer juntos nisto e aceitar as reacções menos correctas que às vezes temos. Mas não temos filhos, há menos responsabilidades em jogo. É uma pena que esta omnipresente crise não desgaste só as carteiras, mas também as pessoas e as relações.
Cada vez mais vamos ser dominados pelo medo. Sobretudo os mais novos.
homem sem blogue
homemsemblogue.blogspot.pt
Se é pela crise ou não que os casais se separam não sei. Cada um tem a sua história, e apesar das semelhanças, as dores pertencem-nos apenas a nós. Eu fiquei desempregada quando a minha princesa nasceu, à 18 meses, depois seguiu-se todos os problemas do primeiro filho, a minha perda de identidade, por já não exercer a minha profissão, por estar muito apegada à bebe, os problemas e as dores dos outros que as vivo como minhas, as depressões, a rotina... a verdade é que um dia o pai da minha filha que era o meu principe encantado, se desencantou e decidiu ir à vidinha dele, porque esta que estávamos a viver estava complicada de mais para ele, e ele já não aguentava mais. Fiquei eu, e a minha princesa no nosso palacio. E ficou também esse medo, de agora como será o futuro da minha filha, privada de ter uma familia "tradicional", de ter um pai presente para lhe dar um beijo de boa noite. Será que eu vou ser capaz de lhe dar todo o amor, tempo e paciencia que ela merece? Tenho força, mas também tenho muitos medos. Invejo (de uma forma positiva) essa familia grande e cheia de amor que partilhas connosco. Eu dou graças a Deus por ter a minha princesa, saudável, bonita e doce. Mas claro que gostava que ela tivesse o pai perto dela.
Enviar um comentário