Sexta-feira, 15 de Março de 2013

A minha história com a Igreja Católica

Tive um tio padre, monsenhor na Diocese da Guarda. Era o monsenhor Alfeu. Lembro-me de ficar transido sempre que, quando nos reencontrávamos, na aldeia do meu pai, me perguntava se sabia rezar e a resposta era sempre a mesma: não. Ensinou-me o Pai Nosso, a Avé Maria, que ainda sei, e outras orações que entretanto esqueci. Lembro-me de estarmos à mesa e de ter de parecer muito mais boa menina do que era. Nessas noites, recordo o olhar desapontado que o tio Alfeu deitava ao meu pai, seu sobrinho protegido, que chegou a estudar no seminário da Guarda. Agora, o seu sobrinho querido era um homem divorciado, ateu, a viver «em pecado» com outra mulher, sem educar a filha (na altura era ainda filha única) segundo os princípios cristãos.
Nessas férias, sentia-me muito importante por ter em casa o homem mais venerado da aldeia. Quando saíamos de casa para irmos com ele para a igreja, era como se fosse ali o Clooney ou coisa parecida. E eu era, na aldeia, a sobrinha do Clooney. A adoração das pessoas da vizinhança fazia-me acreditar que devia ir ali um homem bom. E, assim sendo, fazia um esforço genuíno por aprender o que ele insistia em ensinar-me.
A irmã dele, Constança, era quem fazia as hóstias para a Igreja. Ensinou-me a dizer, quando nos sentávamos à mesa para as refeições: «Graças vos dou meu Deus, que me deste comer sem o merecer. Dai-me o Céu quando morrer», seguido de uma Avé Maria. Eu era minúscula e lembro-me perfeitamente de achar que não fazia sentido estarmos para ali a dizer que não merecíamos o jantar. Ficava a pensar: «Graças vos dou meu Deus que me deste de comer sem o merecer?» E aquilo não me fazia sentido. Eu era tão pequenita e já não merecia comer? A tia, que era tão velhinha e trabalhava tanto nos campos, também não mereceria comer? Que raio de coisa...
A tia era tão beata, tão beata que sempre que se magoava dizia «Graças a Deus». Nunca me hei-de esquecer da marrada que deu, certo dia, na lareira da casa, que lhe rachou a cabeça num lanho cheio de sangue, e de ficar incrédula a ouvi-la gemer, enquanto desmaiava devagarinho: «Ai, graças a Deus, graças a Deus. Ai, graças a Deus, graças a Deus.» Eu era pequenina e pensava que seria seguramente por culpa da minha pequenez que não conseguia entender como é que Deus poderia tê-la feito enfiar a testa na lareira e, pior, como é que ela ainda lhe agradecia.
Dentro de mim, não vos sei explicar porquê nem como, fervilhou desde sempre incompreensão pelo lado submisso e subjugado de todas as rezas. Na missa, faltava-me o ar. Não é metáfora, é mesmo verdade. Invariavelmente, quando chegava a parte do «Glória a Deus nas alturas» eu passava mal. Perdia os sentidos. Muitas e muitas vezes tive de ser levada da igreja para fora, branca como as paredes. Aquelas vozes sofridas, implorando a Deus piedade, sufocavam-me até ao desfalecimento. «Nós vos louvamos. Nós vos bendizemos. Nós vos adoramos. Nós vos glorificamos. Nós vos damos graças, por vossa imensa glória. Senhor Jesus Cristo, Filho Unigénito. Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós.» E eu, tau, estendida ao comprido ou a pedir por favor para sair antes que atabafasse de vez.
Também detestava a parte em que tínhamos de nos saudar. Os beijos molhados das velhotas deixavam-me à beira da náusea e tinha muita dificuldade em perceber porque é que aquelas duas vizinhas se beijavam, quando na véspera uma tinha dito cobras e lagartos da outra, debaixo da janela do meu quarto. Eu era uma miúda de laçarotes no cabelo mas já sentia que ali dentro havia uma bondade aparente que, depois, não correspondia à verdade.

Esta era a minha realidade, sempre que ia de férias para a aldeia da beira alta. Mas a minha história com a Igreja Católica não se ficou por aqui.
A minha avó paterna, Aida, também era muito católica. Muito mesmo. Não estávamos juntas muitas vezes mas recordo-me de haver terços lá por casa e relógios que tocavam o «Avé, avé, avé Maria...». Um dia, levou-me à missa. Teria uns 6 anos. Devia ser hora do lanche e eu tinha muita fome. A certa altura, começaram todos a levantar-se para irem comer a bolachinha que o senhor padre dava. A minha avó disse: «Tu ficas. Não és baptizada, não te confessaste, não podes comungar.» Não percebi nada daquilo mas achei de uma injustiça inominável. A minha prima foi, a minha avó foi, trouxeram a bolacha grande na boca e eu, que tinha tanta fome, fiquei de fora daquilo. Foi a primeira vez que me senti profundamente discriminada. E não gostei.

Uma das minhas melhores amigas, que cresceu no prédio em frente ao meu e era filha de uns amigos da minha mãe, era católica. Baptizada, com a primeira comunhão e o crisma e todo esse percurso de católica praticante. Muitas vezes tínhamos de interromper as brincadeiras porque ela ia para a catequese. Não gostava que ela tivesse que ir e ficava sempre a pensar porque é que ela preferia ir falar de Jesus, que já tinha morrido há tantos anos, do que ficar a brincar comigo, que estava ali tão viva. Fiquei curiosa e pedi-lhe para me explicar. Foi o meu período mais interessado. Li algumas coisas, conversei muito com ela, fiz-lhe muitas perguntas a que não me soube responder. Eu queria perceber porque é que Deus era tão bom e omnipotente e, depois, havia tanta desgraça no mundo. Ela respondia atabalhoadamente, como as crianças, pondo as culpas no diabo. Mas então se Deus era omnipotente... Ao fim de algum tempo percebi que me faltava qualquer coisa. Uma espécie de dispositivo com o qual ou se nasce ou não se nasce. Como o equipamento de série, dos carros.

Mais tarde, quando comecei a trabalhar, interessei-me sempre por temas pesados. Gosto de perceber como é que as pessoas reagem quando a vida as põe à prova. Se são fortes, mais fortes do que tinham imaginado, ou se sucumbem. Se são combativas ou desistentes. Se inventam estratégias para saltar obstáculos ou se se jogam para o chão. E, por isso, fiz dezenas (centenas?) de reportagens sobre pessoas que passavam por autênticas provações da vida. Uma das coisas que sempre me impressionou foi quando alguém que tinha passado pelo maior dos pesadelos, continuava a acreditar em Deus. Pessoas que tinham perdido filhos, pessoas que tinham ficado tetraplégicas, amputadas, doentes terminais, gente que havia perdido tudo, sem culpa nenhuma de nada. Gente boa profundamente castigada pela vida. E sempre aquele amor a Deus, para mim incompreensível. Tal como era incompreensível quando a tia Constança marrava com a cabeça na lareira e dizia «Graças a Deus».
Uma das coisas que me deixa boquiaberta é o facto de Deus ter as costas sempre tão largas. Se há um acidente com um autocarro que levava 30 pessoas e morrem 29 mas salva-se uma criança, um católico dirá sempre que foi um grande milagre. Nessas alturas, então, ensandeço: «Um milagre??? Morreram todos menos um!! Foi uma desgraça! A criança teve foi uma sorte do caraças!»
É isto, o que nos divide. A fé e o modo de olhar as coisas. Para mim, não há Deus. Estamos entregues a nós próprios e à nossa sorte. Como daquela vez que, em reportagem, estava no consultório de um neurologista, a assistir a uma aula com alunos de Medicina. E o professor, neurologista, disse: «Agora vai entrar um senhor que tem um tumor no cérebro. Está num sítio inoperável. Vai morrer em breve.» E o meu colega, Augusto Brázio, incomodadíssimo, perguntou: «Mas... havia alguma coisa que ele pudesse ter feito, ou não ter feito, para não ter este tumor?» O médico sorriu e respondeu: «Nada. Teve azar. Podia não ter tido tumor algum, ou podia ter um tumor num local operável. Teve azar.» Para mim, a vida é isto: no que toca ao que não controlamos, temos sorte ou temos azar. Depois, naquilo que nos compete, é fazer o melhor que podemos e sabemos.

Este é um tema inesgotável. Sinto um claro fascínio por ele tal e qual como sinto por tudo aquilo que não entendo. Tenho respeito por quem acredita, não quero nunca desrespeitar as opiniões ou credos de ninguém. Não tenho essa arrogância. Até porque há muita gente demasiado inteligente que crê, para que eu possa ter essa arrogância. Mas a fé para mim é, de facto, algo que creio que jamais acontecerá. Não é por mal. É apenas porque não.

59 comentários:

Kelle disse...

Este assunto dá sempre pano para mangas, ainda assim queria só dizer que li há pouco tempo um livro que aborda Deus de uma perspectiva diferente e que talvez fosse interessante leres, chama-se A Cabana (http://chama-sevida.blogspot.pt/2013/02/a-cabana-de-wm-paul-young.html).
Confesso que ler aquele livro me deixou confusa, baralhada mas, por outro lado, um pouquinho pequenino esclarecida. :)

filboa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cynthia disse...

Gostei muito deste post! Diz muita coisa e explica muito bem a tua opinião. E eu subscrevo totalmente, penso que não seria capaz de o exprimir tão bem, mas se o fizesse, seria assim. Para mim, também é totalmente incompreensível a fé e tanta submissão a Deus, algo que nunca viram, que não podem com certeza afirmar que existe porque, lá porque acreditas numa coisa, não significa que esta seja a verdade. Também respeito, desde que não tentem impingir-me essa fé que, para mim, é ridícula. E não quero ferir susceptibilidades, é ridículo para mim, nada mais. Eu, como tantas outras pessoas neste mundo, têm problemas, muitos. E não me cabe na cabeça que Deus esteja lá para ajudar. Os crentes afirmam que Deus nos deu o livre arbítrio e que nos coloca à prova. E eu digo merda para isso, então para que é que ele serve? Não é para ajudar? Vá lá, como é que mortes, guerras, fome e outras degraças ajudam alguém? Não... isso não me cabe na cabeça. Mas devo dizer que admiro quem continua a crer após lhes cair o mundo em cima. Não percebo, nunca irei perceber, mas admiro. E se só essa crença os ajuda a sentirem-se melhor face aos problemas, melhor.

filboa disse...

Eu também não acredito em Deus... acredito nas pessoas.. Que belo texto que reflecte na perfeição tudo aquilo que eu sinto.. Obrigada!

CM disse...

Um texto claro e muito bem explicado, o que eu acho graça, é que eu penso exatamente ao contrário.
Ou seja, eu acho que deve ser um peso tremendo viver sem fé, principalmente qdo nos deparamos com alguma desgraça!!!
:)

Maria João disse...

Grande texto Sónia, ou não tivesses tu o dom da escrita. É um tema muito complicado! Eu própria não me sinto confortável ao discuti-lo dada a sua complexidade e confusão que me faz. Lembro-me de ter uns 7 anos e andar na catequese e o padre perguntar: quem criou o diabo. Eu pus o dedo no ar muito prontamente e disse "foi Deus". As catequistas queriam um buraco para se meterem, mas a mim ensinaram-me que Deus criou o mundo, tudo e todos! Só um exemplo da confusão que criam na cabeça das crianças, das metáforas que usam com crianças tão pequenas, incapazes de compreender assuntos tão complexos.
Quanto à fé, dou-te um exemplo e aqui cito as palavras da minha mãe que perdeu um filho com leucemia, tinha ele 18 meses: "quando te vires aflita, sem chão e não tiveres nada a que te agarrar..." Acho que a frase não precisa de ser completa para ser compreendida.

Carla disse...

"(...) Pessoas que tinham perdido filhos, pessoas que tinham ficado tetraplégicas, amputadas, doentes terminais, gente que havia perdido tudo, sem culpa nenhuma de nada. Gente boa profundamente castigada pela vida. E sempre aquele amor a Deus, para mim incompreensível(...)
Sónia, eu sei que parece incompreensível mas para mim que perdi dois filhos preciso de acreditar que Deus existe e que junto dele estão os meus filhos e que um dia os vou ter de novo comigo... porque sem esta Fé seria (para mim) quase inimaginável sobreviver à perda dos meus filhos... É tudo uma questão de necessidade... Eu necessito de ter esta esperança para conseguir viver... Para além de que neste dois momentos de dor necessitei de culpar alguém , de me zangar com alguém... e foi com Deus que me zanguei...
Não estou a tentar que tenhas Fé :) Estou só a tentar explicar o que nem sempre é fácil perceber...

Diana disse...

É sempre uma questão complicada! Eu não sou crente, apesar de ter tido uma educação católica, mas respeito quem acredita! Só não gosto, quando me tentam impôr algo ou quando sou julgada por viver segundo outros valores. Acho que devemos nos respeitar mutuamente! Há pessoas que sentem necessidade ou mais conforto por acreditar em algo mais, outras não, que é o meu caso! Fui baptizada, fiz catequese e 1ª comunhão. Gostava muito da catequese, porque ouvia histórias e desenhava muito. Deixei de gostar quando me obrigaram a rezar, principalmente o acto de contricção. Não percebia porque tinha de bater no peito, enquanto dizia "mea culpa". A primeira vez que me confessei, menti, porque não sabia o que era um pecado. Fiz a 1ª comunhão para agradar à minha avó, mas a partir daí a minha relação com a igreja deixou de existir!

Kika Perez disse...

Querida, lendo sua crônica, me vi nela no trecho do "saudai-vos uns aos outros"...deixei de ir a igreja por causa disso. Converso com todos, amo a todos, sirvo e falo aos mendigos que vejo, mas na igreja ser saudada por um senhor com barba por fazer e cheirando a cachaça...foi minha conta encerrada com as missas...beijocas.

Simplesmente Eu disse...

Pois, eu entendo o que diz.

Eu tenho fé. Se me perguntar porquê, não sei...

Podia dizer que fui educada assim, que fui, mas a minha irmã também, e não acredita.

Sei que nos momentos difíceis é na minha fé que encontro forças para continuar...

E pode perguntar, mas como?

Não sei, talvez tenha nascido com o dispositivo. ;)

Viajante disse...

Subscrevo completamente. Eu sou ateia porque não podia ser outra coisa. Ou se crê, ou não crê e eu não creio. Em termos de vivência, tive menos contacto com a fé católica - não tinha familiares ligados à Igreja e fui a muito poucas missas. Mas tinha gente crente na família, isso sim (quem não tem?) Também me esforço por respeitar a crença alheia, mesmo sem a compreender DESDE QUE - e isto é um grande DESDE - que não mas venham impingir, nem a mim nem aos filhotes, que aí aparece a mãe leoa e salve-se quem puder. Sendo eu uma pessoa de formação em ciências e tendo trabalhado em ciência devo dizer que não consigo de todo perceber como um cientista, que questiona tudo e todos e tem um cepticismo infinito (eu sou assim) pode ser crente. Não entendo; mas, tal como as bruxas, que los hay, hay.

Estrogénio vs Testosterona disse...

Atenção: acreditar em Deus é uma coisa, ser católico é outra apesar de envolver a crença, claro. Eu, por exemplo, acredito em Deus mas não na igreja católica (por vários motivos, entre eles o luxo todo que tem, tal como referiste noutro post).

Agora uma coisa é certa: dizerem que não acreditam em Deus porque não o podem ver, é parvoíce. Também não vemos o vento mas sabemos que existe, não é? E porquê? Porque sentimos. Para quem acredita Deus funciona assim, não se vê, mas sente-se.

Mas tal como dizes, tudo depende da maneira como vemos a vida e, ou temos fé em Deus ou temos apenas em nós próprios. E o mais importante de tudo é respeitarmos as crenças uns dos outros. :)

somente eu disse...

Como me revejo neste texto...
Sónia, tinha 6 anos acabados de fazer e perdi um irmão (faleceu minutos depois de nascer), do meu 1º dia de escola recordo-me dos meus pais a falarem com a Prof. e contarem que o funeral era naquele dia... A seguir veio a catequese (era socialmente correcto...), fui 2 dias, depois de a catequista me responder mal so algo que tinha a ver com Deus e o Diabo nunca mais lá pus os pés, com anuência da minha mãe e escondendo ao meu pai ainda por algumas semanas.
Cheguei a ir à missa (detestava a parte da saudação, velhas com barba e beijos molhados, não obrigada).
Aos 21 anos perdi o meu avô materno, uma amiga virou-se para mim a tentar consolar-me com Deus e a Igreja... Só lhe disse que quando me conseguisse explicar porque o Deus (dela) tinah levado o meu irmão, voltaríamos a conversar...
Há coisas que não se explicam... como a Sónia diz... são um azar do caraças (curiosamente a minha mãe é crente, perdeu a mãe aos 9 anos e 1 filho... mas crê em Deus...)

Viajante disse...

Ah, e revi-me tanto, tanto na parte do beijo! Detestava essa parte, que coisa tão completamente abstrusa!!! Nem sabia que tal existia, quando na missa das bodas de ouro dos meus avós às tantas a do lado se vira para mim e estica os lábios: o beijo do senhor... O beijo de quê???!!!

Martinha disse...

Olá Sónia
Eu sou católica e concordo com absolutamente tudo o que a Sónia disse. Acho porém que está a ter uma visão muito matemática das coisas. Demasiado racional. Repare se houve um acidente com um autocarro que levava 30 pessoas, morreram 29 e salvou-se apenas uma criança, obviamente que foi uma desgraça e obviamente que a criança teve uma sorte do caraças, mas quando o católico diz que foi um milagre, está a tentar ver a desgraça pelo lado positivo de forma a atenuar o sofrimento. De forma a que esta desgraça não se transforme numa desgraça ainda maior, colocando as pessoas com traumas ou pesos na consciência. Sim, Deus tem as costas largas e tem de ter porque na realidade para mim Deus é uma espécie de psicólogo. E ir à missa para mim funciona como uma espécie de terapia.

E é isso que as pessoas que perdem filhos ou têm problemas graves de saúde procuram: uma âncora para se segurarem à vida.

Claro que discordo completamente qualquer fundamentalismo na religião. E era isso um pouco o que acontecia nas aldeias antigamente e ainda acontece nos dias de hoje.

Mrs Anouska Papouska disse...

Concordo com quase tudo, revejo-me nas palavras do comentario d@ estrogenio vs testosterona...

porque Deus tem mesmo as costas largas, e a fronteira esta em algo que Ele disse e deu ao Homem, o livre arbitrio! A faculdade que ele tem na responsabilidade dos seus actos, e por isso a prova da maça e da serpente...

eu so sei isto das palavras do meu avo e do meu pai que nunca frequentarem uma igreja no real sentido de missas e afins mas que leram a historia e a interpretaram...(eu tb n csg com as ladainhas e com as teorias...)

se as crianças que morrem de fome é culpa de Deus? Nao, é do Homem, que podia fazer com que isso nao acontece mas o egoismo, a ganancia e a luxuria sao sempre motivos mais fortes, principalmente para os governantes desses paises.

Se o acidente de autocarro é culpa de Deus e o sobrevivente é um milagre? talvez, o acidente tb pode ser explicado por responsabilidade do Homem (nao foi de certeza por causa de nada!).

O livre arbitrio é tambem o que nos separa dos animais irracionais, e por vezes nao se percebe muito bem como conseguimos, Humanindade, dar provas de sermos realmente os irracionais da historia!

e depois ha as guerras pela e por causa da religiao... ai entao palavras para que?

Eu sempre acreditei na historia das pegadas da areia, conheces? é muito bonita...

e às vezes acho que é Ele que mais sofre, que mais chora!

Enfim... é uma questao de fé! beijinho

as artes da xana disse...

Linda, palavras para quê, só mesmo tu para passares para o papel o que te vai (e a muita gente, claro) na alma... sou católica mas pouco praticante verdade seja dita, fui batizada,fiz comunhão, crisma, casei pela igreja, batizei os meus filhos.... e o meu mais velho anda na catequese e fará se tudo correr bem a comunhão este ano, se vai continuar, muito pouco provável, mas aí já vai ser uma decisão dele... mas aqui está e muito bem relatado a tua mas poderia ser a de muita gente, historia com a igreja... jinhos sónia, mais um post fantástico...
xana

AlexandraVSantos disse...

Cara Sónia,

A fé é um dom e a Igreja Católica é imperfeita.
Por ser um dom, a fé é sempre incoompreensível para aqueles que não foram tocados por ela. E a Igreja se fosse perfeita não teria lugar para mim, nem para si (nem para a maioria dos católicos.
Não acho que seja assunto que dê pano para mangas, acho até bastante simples. Ou se acredita, ou não se acredita. Se me pedir e quiser ouvir-me, até sou capaz de lhe explicar porque acredito. Do mesmo modo, para mim basta que me diga que não acredita (desde que pratique o do da coerência...), e não preciso de mais explicações para além disso.

AlexandraVSantos disse...

Cara Sónia,

A fé é um dom e a Igreja Católica é imperfeita.
Por ser um dom, a fé é sempre incoompreensível para aqueles que não foram tocados por ela. E a Igreja se fosse perfeita não teria lugar para mim, nem para si (nem para a maioria dos católicos.
Não acho que seja assunto que dê pano para mangas, acho até bastante simples. Ou se acredita, ou não se acredita. Se me pedir e quiser ouvir-me, até sou capaz de lhe explicar porque acredito. Do mesmo modo, para mim basta que me diga que não acredita (desde que pratique o do da coerência...), e não preciso de mais explicações para além disso.

Aniri disse...

O seu comentário sobre o autocarro faz-me lembrar quando um médico salva um ser é milagre, graças a Deus, e etc, quando esse ser morre é incompetência do médico. Revejo-me em muitas coisas que disse, os meus pais nunca se casaram, a minha mãe acredita em Deus, acho que mais por lhe dar uma certa tranquilidade e possivelmente o facto de ter perdido a mãe quando tinha 16 anos tem alguma influência nisto. Passei pela catequese porque quis, estive lá possivelmente um ano ou pouco mais, fui mais por curiosidade os meus amigos andavam lá, e eu até os via animados com isso, e desde pequena sempre gostei foi de convívio, por sorte tive uma catequista que era um ser extraordinário, e como tal prolonguei-me por lá. Na altura fui baptizada, com cerca de 10 ou 11 anos, novamente porque quis, neste momento não sei dizer o porquê dessa decisão, só sei que lentamente fui-me afastando, possivelmente devido a tanto moralismo, sempre foi algo que odiei, umas das coisas que recordo foi de uma tia (beata até mais não) ter oferecido uma bíblia, e eu como desde sempre amei ler, pensei "bestial", o bestial foi de curta duração. Apocalipse? Pessoas que vivem até aos 800 anos? Mas isto é em que planeta? E pronto, aos poucos fui-me afastando, não sou católica, nem cristã, nem acredito em coisa alguma, se gostava de acreditar? Sim gostava, gostava de ter fé que existe salvação para muita coisa, mas ou somos nós que mudamos e fazemos por isso acontecer ou estamos lixados.

Andreia Gil disse...

Experimentar a fé num Deus que é Amor é a experiência mais transformadora que vivo. E toda a vida fica tocada e transformada assim: a experiência do casamento é diferente, a maternidade tem outro sabor, ser-se filho, irmão, amigo, próximo... tudo ganha uma dimensão maior e mais exigente porque quer sempre mais, amar mais, ser mais para o outro. É assim um resumo muito sintético do que sinto e sei Deus fazer por mim. Há muita coisa errada, muita catequese mal dada, muitos mal entendidos, sabemos todos. Mas esse Deus que nos ama e nos conhece tal como somos, é isso mesmo, sem 'se' ou 'mas'. Deixo também uma sugestão de leitura, levezinha e simples, mas que tem muito do essencial: O Príncipe e a Lavadeira, do Pe. Nuno Tovar de Lemos,sj. http://www.paulinas.org.br/loja/?system=produtos&action=detalhes&produto=509590

justagirl disse...

Se algum dia tive fé, deixei de ter no dia que o meu pai, um homem mto honesto, trabalhador e o pai e avô mais carinhoso que se pode ter, sofreu um AVC, e durante 6 meses, assisti á degradação do seu corpo e mente, e finalmente o perdi. Não é justo, se houvesse Deus o meu pai não teria sofrido tanto...

Smelly Cat disse...

Acho que as pessoas são ainda muito influenciadas por essa vertente submissa e pessimista na sua vida. Só isso justifica que digam coisas com "Temos que sofrer, Jesus também sofreu". Respeito as crenças dos outros, mas também exijo que respeitem em minhas. No entanto, o que muitas vezes acontece é que são os crentes (e aqui refiro-me especificamente aos Católicos, que são os que conheço melhor) que tendem a criticar a apontar o dedo aos outros (por não terem as mesmas convicções). E é nessa altura que eu tenho vontade de perguntar se é assim que estão a respeitar os outros... Conseguem ser bastante extremistas na defesa da sua fé.

Acho que a maioria das pessoas não pensa muito sobre isto, aceita a religião (não estou a falar da fé) como um dado adquirido, algo que é normal e faz parte da tradição. Muita gente reza sem perceber sequer o que está a dizer. As missas não passam de rituais repetitivos e normalizados, que não deixam espaço para a reflexão e, muito menos, para a dúvida e questionamento.

Havia muito a dizer sobre isto, mas vou ficar por aqui porque isto já vai longo, já parece um testamento...

amatop disse...

Gostei muito de ler! Identifico-me com muitas coisas, sobertudo nos aborrecimentos da infância, incluidos alguns desmaios na igreja. Fiz o caminho inverso, de católico por tradição cultural passei a cristão, há já várias décadas, isto é, à pandilha de Jesus. Gostei sobretudo do último parágrafo porque revela uma mulher extraordinária. Ah! Um dos que seguiam Jesus era filho de um Alfeu. Não é muito falado, mas creio que o pai não devia gostar muito porque o seu mestre virou a religião (as religiões) de patas pró ar. Foi por isso que o mataram e não por razões devotas. Agradeço a quem me indicou o seu blog

SN disse...

:)ufa. Que trauma!!
Infelizmente ainda há muita porcaria dessa.

**SOFIA** disse...

gostei imenso do que li, e por ali também me identifico com essa "coisa" de não me incluir na religião católica.

eu e os meus irmãos não éramos batizados, porém em pequenos assistimos a aulas de catequese na escola, até frequentámos um colégio de freiras e tudo. numa determinada altura, havia em nossa casa um crucifixo e aos meus olhos infantis aquilo era por demais horrendo. detestava passar no corredor onde pousava o dito na parede, eu seguia sempre com pressa.

na altura em que frequentávamos o colégio de freiras, os meus pais cederam à pressão da sociedade e batizaram-nos. as freiras ficaram contentes e diziam-me coisas do género "ai, vais ver a luz, vais renascer pura, vais ficar sem pecados" e eu achei aquilo o espetacular! Para além de me sentir finalmente integrada (nós eramos os únicos "pecadores" na escola inteira) também iria sentir um contacto imediato com jesus...
o dia do batizado foi uma excitação e eu aguardava pela "luz". O padre batizou-me, eu escolhi os meus padrinhos, segurei a vela, inclinei a minha própria cabeça e depois aguardei. Aguardei até acordar no dia seguinte e constatar que me sentia igual ao dia anterior, e a todos os dias anteriores - nada mudou - e rapidamente percebi que aquilo era tudo uma grande ilusão e que não me trouxe qualquer mais-valia na minha inocente vida de 12 anos.

Depois disso acabaram-se as idas à catequese, conheci outras pessoas que não eram batizadas e pouco depois constatei que me batizei demasiado cedo. Anos mais tarde casei pelo civil e também não batizei os meus filhos, vou deixar que eles tomem as suas decisões, não sem antes saberem tudo sobre o catolicismo e todas as outras confissões que existem.

mais uma vez, grande texto!!!

Carla Lucas disse...

Texto, mais uma vez, muito bom. Identifico-me em tudo o que está escrito, até o meu percurso, enquanto criança, é semelhante.
Beijinho

Madalena Rocha e Melo disse...

só partilhar uma coisa que aprendi hoje mesmo. a nossa relação com Deus resume-se à nossa doação aos outros e ao Amor que pomos em cada coisa que fazemos. não penso que importe que tipo de coisas fazemos ou decidimos mas a nossa disposição quanto a elas. a vontade de Deus realmente é deixarmos de nos colocar a nós próprios no centro das nossas vidas e colocarmos os outros no centro das nossas prioridades. só assim poderemos viver em Paz e com tranquilidade. e Deus é isto. é Amor. muito mais do que o que dizemos ou fazemos, pormenores insignificantes no que é o plano de Deus para cada um de nós.

n disse...

"Ou se acredita ou não".
Pois esse não é o meu caso, nem o de muitos agnósticos que existem.
Nunca ninguém me conseguiu convencer da existência ou não de um Deus. Simplesmente, há factos na vida que me levam a pensar que talvez sim e outros que não. Sinceramente, acho que vou ter esta dúvida até ao fim da minha vida, mas já aprendi a conviver bem com ela.
Também eu fui educada católica e conheci beatas hipócritas e assisti a missas infindáveis e insuportáveis. Claro que também já conheci católicos fantásticos, padres muito interessante, que não acreditam no Deus castigador nem no Inferno, e até já assisti a uma ou outra missa interessante.
Apesar de ter conhecido o lado negro da Igreja, não confundo as coisas. Sei que, se Deus existir, não será um Deus castigador e nada terá a ver com beatas ou luxos do Vaticano.

o normal anormal disse...

eu acredito em Deus. Se isso significar um poder superior que me observa constantemente e me vai dando o que eu quero e o que eu não quero. O meu papel não é falar dele mas aceitá-lo. A fé é uma coisa muito pessoal até se juntar um monte de gente com fé. É aí que deus deve ficar baralhado e então delega funções num ser humano. Dá sempre mau resultado. Enfim... ou não.

Maria disse...

Sabe querida Sónia, permita-me que a trate assim, há muito que a sigo e nunca a encarei como arrogante, nunca. Demonstra sempre um sentido de respeito admirável e por isso a saúdo.
Nunca cheguei a encarar a Fé como a Sónia, não dessa forma tão racional. Tenho cá o gene que me faz acreditar. Quando começou a querer desaparecer decidi! Ou o mato de vez, ou reencontro-me com ele. Há 3 anos atrás fui a Fátima a pé. Porque quis! Não por promessa ou por obrigação, eu quis reencontrar ou matar de vez a minha Fé. Metade do caminho fi-lo a questionar, outra metade a agradecer. Reencontrei-me comigo e com o que tinha no mais fundo do meu ser, a Fé.
Repare que, o mesmo não é dizer que concordo com tudo, que sigo tudo à risca o que me manda a minha religião, errado. Se calhar estou errada aos olhos de muitos, mas é assim. Somos seres humanos que têm por obrigação utilizar a cabecinha e pensar.
Pelo que tenho acompanhado através do seu Blogue, daria, tal como creio já lhe terem dito um dia, uma excelente Católica. No entanto, para fazer o bem não precisa de o ser. E concordo consigo, fá-lo mais, melhor e mais empenhadamente que muitos católicos que conheço. Parabéns!!
S. Fernandes

o normal anormal disse...

é que nem de propósito isto é o raio de uma coincidência ou não... o Papa e a partícula de Deus. Um a contrariar o outro. A ciência e a fé. Não sei se Deus existe. Posso ter fé que ele exista. Talvez me apazigúe pensar que ele existe. Nem sei. Há-de ser sempre uma impressionante duvida. Agora que o sol existe, isso eu sei. E que o sol é vida também sei. Enfim...

Beijinhos (isto aqui é só mulheres... curioso)

Cláudia disse...

Tal como a Sónia não acredito em Deus ou qualquer outra entidade que vá além daquilo que posso provar existir.

A maior parte dos crentes acha que quem não o é o diz tentando marcar uma posição moderna e diferente. O que a maior parte dessas pessoas está longe de imaginar é que seria tão mais fácil ter essa capacidade de acreditar, mesmo quando a realidade já esgotou todas as possibilidades reais.

Muitas vezes dou por mim a pensar que seria tão mais reconfortante se eu simplesmente acreditasse.

Carla disse...

Mais uma vez um texto tão bem escrito e que realmente nos faz pensar. Mas eu como católica - que acredita que ELE existe. Quanto ás crenças e costumes praticados pela igreja de hoje não acredito nem sigo com atenção. Deus era um homem como nós que cometeu pecados e errou, que caminhou num mundo com muitos espinhos, mas que viveu de acordo com as suas crenças. O resto é marketing. Eu gosto de dizer que sou católica que acredito nos valores em que eu me revejo, dos ensinamentos que aprendi e que questionei até chegar à conclusão que muita coisa na igreja é hipocrisia. Mas também sei que as pessoas contestam a ostentação da Igreja, mas a igreja tem diversos sectores que se ocupam de ajudar os mais necessitados como muitos de nós fazemos ao ajudar quem mais precisa ou apoiar uma ou outra instituição, mas no entanto não nos desfazemos de tudo o que temos em casa ou dos carros. E o mesmo se aplica à igreja e Vaticano que mesmo vendendo tudo não seria o suficiente para ajudar todos os que precisam. É certo que este é um tema controverso e em que todas as opiniões são válidas e o respeito pelos ideais de cada um deve ser respeitado. Da mesma forma que eu compreendo o facto da Sónia e da minha filha não conseguirem ver o que a igreja tem de bom. Muito obrigada pelo seu magnifico texto que só vem contribuir para que assuntos controversos sejam discutidos.

Carina disse...

Parabéns pelo texto Sónia. Revejo-me no que diz. Eu também tive uma educação católica – ia à missa, fiz a 1ª e a 2ª comunhão – graças à minha avó com quem vivíamos (porque os meus pais, verdade seja dita, não tinham paciência) e que sempre foi católica, praticante e que deixou de acreditar em Deus no dia que teve um AVC que a atirou para uma cama, completamente paralisada de um lado e sem conseguir falar. Ela está assim há 3 anos. Consegue ouvir-nos, perceber-nos e comunica connosco como consegue, e nós compreendemos tudo por a conhecermos tão bem. Toda a vida pediu a Deus que nunca se visse numa situação daquelas (quando via alguém assim). Sempre ajudou toda a gente, quando podia e quando não podia, e depois… isto. Tem pessoas de família que lhe levam santinhos e orações e ela nem olha… ignora completamente. Eu compreendo-a perfeitamente.
Depois disto, se eu já não acreditava, fiquei a acreditar menos, e a gota de água foi quando o meu sogro morreu. Deixou 3 filhos, um deles menor, que também já não tinham mãe há 15 anos, e uma neta. Na missa a que fui (pela família do meu marido) senti uma revolta tão grande que até me senti mal – nas palavras do padre o que aconteceu foi uma coisa boa. Deus lá teve os seus motivos e quis que ele fosse para perto de si por ser uma pessoa boa. Só me apeteceu gritar-lhe “M**** para essa conversa toda”… Enfim, mas ainda assim, respeito muito quem acredita e às vezes gostava de conseguir compreender… mas não consigo… também não devo ter nascido com o dispositivo…

Carina disse...

Parabéns pelo texto Sónia. Revejo-me no que diz. Eu também tive uma educação católica – ia à missa, fiz a 1ª e a 2ª comunhão – graças à minha avó com quem vivíamos (porque os meus pais, verdade seja dita, não tinham paciência) e que sempre foi católica, praticante e que deixou de acreditar em Deus no dia que teve um AVC que a atirou para uma cama, completamente paralisada de um lado e sem conseguir falar. Ela está assim há 3 anos. Consegue ouvir-nos, perceber-nos e comunica connosco como consegue, e nós compreendemos tudo por a conhecermos tão bem. Toda a vida pediu a Deus que nunca se visse numa situação daquelas (quando via alguém assim). Sempre ajudou toda a gente, quando podia e quando não podia, e depois… isto. Tem pessoas de família que lhe levam santinhos e orações e ela nem olha… ignora completamente. Eu compreendo-a perfeitamente.
Depois disto, se eu já não acreditava, fiquei a acreditar menos, e a gota de água foi quando o meu sogro morreu. Deixou 3 filhos, um deles menor, que também já não tinham mãe há 15 anos, e uma neta. Na missa a que fui (pela família do meu marido) senti uma revolta tão grande que até me senti mal – nas palavras do padre o que aconteceu foi uma coisa boa. Deus lá teve os seus motivos e quis que ele fosse para perto de si por ser uma pessoa boa. Só me apeteceu gritar-lhe “M**** para essa conversa toda”… Enfim, mas ainda assim, respeito muito quem acredita e às vezes gostava de conseguir compreender… mas não consigo… também não devo ter nascido com o dispositivo…

Miriam disse...

Gostei muito do texto, e está muito bem escrito, mas não me identifico de todo.
Tenho fé em Deus e não na Igreja.Por exemplo sou casada pelo civil, nunca seria capaz de casar na igreja, como fazem pessoas que não acreditam na instituição. Ou são ou não são, não se é só às vezes ou porque a família é/ou fazia questão.No entanto a minha filha pediu-me para ir para a catequese, e para ser batizada,foi ela que escolheu, e eu aceitei a escolha dela, individual.
Espreite se tiver tempo a última crónica do Lobo Antunes, nada crente, tal como a Sónia e também muito bem escrita, tal como a sua.

Dalilah disse...

Sónia, qualquer antropólogo lhe dirá que a ncessidade de Deus é uma necessidade básica humana relacionada com a necessidade de protecção, que é tão simples como as necessidades fisiológicas. Deus não criou os homens, os homens criaram Deus para satisfazerem essa necessidade. Tão simples como isso. Toda a gente tem necessidade de protecção, alguns dirigem-na a Deus, eu e a Sónia dirigimo-la a outras coisas ou outras pessoas porque ou nascemos sem ou não nos puseram o "chip" que permite a crença cega.

Patrícia Pintado disse...


É o verdadeiro Mistério da Fé... Uns têm a sorte de a ter, outros não. Eu tenho, e muita.

Patrícia Pintado disse...


É o verdadeiro Mistério da Fé... Uns têm a sorte de a ter, outros não. Eu tenho, e muita.

Mamã disse...

Tão bem escrito. Parabéns. :)

Dalilah disse...

Curioso o seu comentário, Patrícia Pintado, eu vejo isso precisamente ao contrário :-)

Cláudia Ferreira disse...

Um dos melhores posts de sempre, Sónia. Parabéns :)

Juanna disse...

São coisas que já não entendo. Eu tenho fé, mas não já tenho Fé. Quem acredita, parece-me óptimo. Eu acredito mas não naquilo que conta a igreja católica, a única que conheço bem. Por outro lado, também não suporto as pessoas que tentam fazer-me ver que não há Deus, nem Fé, nem milagres, nem nada. Mas eu chateio alguém por acreditar? Atenção, também sou muito contra as pessoas que tentam enfiar a religião pela garganta abaixo das outras. Cada um acredita no que quer. Já ouviste falar da religião do spaguetti flying monster? Pois há, no mundo, espaço para quase tudo :)

Nuno disse...

Ai Sónia a parte do beijo era para mim uma contradição por um lado durante a missa começava a olhar ao meu redor e ver o que iria calhar-me na rifa por outro quando o beijo entrava em cena sentia um alivio imesurável pois a missa estava mesmo no final. Durante a missa o levantar, o sentar exigiam demasiado da minha concentração de miuda tirando o Pai Nosso e Avé Maria o resto fazia de conta que mexia os lábio com o passar do tempo desisti achei que estava a fazer figura de totó.

Mariah disse...

Gostei muito deste texto, para mim diz tudo. E sabes, em 42 anos é a primeira vez que sei de alguém que também se sentia mal nas missas. Eu tinha que sair sempre senão desmaiava:)
Helena

filipa disse...

Tem razão Sónia, este tema é fascinante, e a sua atitude é muito comum. E a Sónia escreve bem, explica-se bem. Mas na minha modesta opinião, grande parte do que diz são tiros ao lado. Para começar, acho estranho nunca ter questionado a sua tia sobre o “Graças a Deus”. Se tivesse, talvez ela lhe tivesse respondido que estava a “dar graças” a Deus, e não a agradecer. São coisas diferentes. Dá-se graças também para se pedir a graça, como quem pede atenção ou ajuda. Ela podia estar simplesmente a pedir a Deus para olhar para ela, por ela, no seu sofrimento. A pedir a sua presença reconfortante. E não a agradecer… Ou talvez a sua tia repetisse a frase que ouvia dizer a outros, sem que ela própria percebesse essa subtileza de linguagem. Mas se o fazia em simples repetição, também não pode acusá-la de estar a agradecer uma desgraça, ela apenas cumpria um ritual. Os rituais também servem para dar confiança a pessoas inseguras, para reconfortar no medo. E os dogmas cumprem a mesma função.
Por outro lado, e sempre na minha opinião, no seu discurso há uma visão errada em relação ao papel de Deus neste mundo terrestre e humano. A minha visão de Deus não é a visão católica, apesar de ter sido vagamente educada nela, mas todas as religiões começaram como formas individuais de interpretar esta questão. E acho que, em vez de tentar compreender atitudes necessariamente humanas para justificar atitudes de um Deus que assim não faz sentido, devia tentar senti-lo através da sua própria sensibilidade.
Na minha opinião Deus não interfere, não manipula, para o bem ou para o mal, nem faz batota. Ele simplesmente existe num plano diferente deste a 3 dimensões que é a vida na terra. Nós, os seres humanos, é que fazemos o bem e o mal a nós mesmos e aos outros, e é a nós próprios que se deve pedir contas, e não a Deus. Não é essa a sua função, nem a sua lógica. Estamos entregues a nós próprios enquanto aqui andamos, sim, mas não é por Deus não interferir que ele não existe. Mas ao contrário da questão anterior, aqui já estamos a discutir a fé, e nisso concordo consigo: ou a temos, ou não a temos. Eu acredito que somos todos parte de Deus, centelhas divinas que mergulhamos no escuro e nas 3 dimensões quando encarnamos, e regressamos a Deus na sua plenitude multidimensional quando morremos (e que reencarnamos várias vezes). Mas este planeta é denso e cheio de dualidade (preto e branco e a cores, doença e saúde, sorte e azar, alegria e tristeza, mal e bem), com todos os graus de cinzento intermédios. E é difícil, nestas condições, mantermos vivo algo do divino que há em nós (para começar, esquecemo-lo). Uns conseguem melhor e podem fazer milagres, outros pior e podem provocar o mal, uns conseguem ser felizes e outros não. Mas são essas as regras do jogo e acredito que as aceitamos antes de o iniciar, de cada vez que cá vimos. Já sobre qual é o jogo, não sei, alguma lógica há de ter (experiência, aprendizagem?), mesmo que não a consigamos ver aqui de baixo, por estarmos limitados. De qualquer forma temos que o jogar, o melhor que pudermos, com as ferramentas que trazemos connosco.
Eu sinto este “meu” Deus claramente, imensas vezes. Na beleza de uma paisagem, no vento, no sol, no mar, no chilrear dos pássaros, mas também nas obras de arte, em certas músicas, em certos textos, e claro, em certas pessoas, que fazem coisas geniais, verdadeiros milagres ou simplesmente pequenos gestos que tocam e enchem o coração de outros. Tem tudo a ver com harmonia, paz e amor, nisso (quase) todas as religiões concordam. Sinto também a ligação entre as coisas, as chamadas coincidências que não acredito que o sejam, que só podem mesmo existir havendo uma “bigger picture”, que sinto mesmo que não veja. Não tenho nada contra outras formas de acreditar ou não acreditar, acho que o ideal é sentirmos por nós mesmos e não sinto falta de rituais ou dogmas. Para mim, é essencial senti-lo assim, dá-me imensa paz.

Susana disse...

Sou agnóstica. Não vou agora "desfiar o rosário" de todas as razões que me conduziram até aqui, mas parece-me interessante acrescentar a esta discussão um dos princípios do homem que agora foi escolhido para Papa:

- é contra a ordenação de mulheres.

Sendo a maioria das comentadoras do sexo feminino, gostava de ler algo sobre isto.

joana disse...

Este texto é tão vazio que só se justifica mesmo com a sua falta de capacidade para realmente pensar sobre as coisas. Credo.

Mariana B disse...

Em todos os anos em que venho até aqui visitá-la, este o texto com o que me identifiquei mais! Ainda ontem almocei com um grupo de amigas maioritariamente crentes e entusiasmadas com a eleição do novo papa e eu sentia-me tão fora daquele fervor (ainda que o meu padrinho de baptismo tenha sido S. Francisco de Assis, não importa qual a razão...). E, como ouvi há uns anos, quando não se crê em forças superiores, a nossa maneira de viver fundamenta-se muito mais no cumprimento de crenças e valores pessoais, sem esperança de que haja uma intervenção divina...E o que eu quero é ser, cada vez mais, uma pessoa melhor, solidária e atenta aos outros!

São disse...

Chorei de rir, literalmente, com o teu post.
Esta demais...
Sou crente mas, como tu, respeito a posição de cada pessoa.
A parte da marrada na lareira e de nao parar de rir!
Lena

Miragem disse...

Ahh... Haja alguém que pense como eu!! Ao fim de 2 aulas de catequese, pedi para não ir mais!! Não os entendia!! Também não compreendo quando me dizem que não acredito em Deus porque nunca me vi em apertos... Já, já vi. E isso devia alterar alguma coisa??

João Delicado sj disse...

Sónia,
agradeço a abertura de coração, sem a preocupação de pôr filtros ao que pudesse ser 'religiosamente incorrecto'. Só a verdade do que somos pode oferecer o caminho de crescimento.

Quanto à existência de Deus: nunca o vi, nem o ouvi; mas - se quero ser honesto comigo mesmo -tenho que admitir que já tive suficientes provas da existência de Deus.

Exemplos? Lembrei-me dos textos que já escrevi em que incluo o 'tag' providência:
http://www.joaodelicadosj.blogspot.it/search?q=providência

BJS!

Unknown disse...

Sónia,
Esse Deus da sua infância, não o conheço, o meu Deus, que eu conheço, com quem vivo diáriamente é um Deus de Amor, tal como este:Uma noite eu tive um sonho...



Sonhei que estava andando na praia


com o Senhor
e no céu passavam cenas de minha vida.
Para cada cena que passava,
percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia:
um era meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida
passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia,
e notei que muitas vezes,
no caminho da minha vida,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu
nos momentos mais difíceis
e angustiantes da minha vida.
Isso aborreceu-me deveras
e perguntei então ao meu Senhor:
- Senhor, tu não me disseste que,
tendo eu resolvido te seguir,
tu andarias sempre comigo,
em todo o caminho?
Contudo, notei que durante
as maiores tribulações do meu viver,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Não compreendo por que nas horas
em que eu mais necessitava de ti,
tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho.
Jamais te deixaria nas horas
de prova e de sofrimento.
Quando viste na areia,
apenas um par de pegadas,
eram as minhas.
Foi exatamente aí,
que te carreguei nos braços.




paulo,sj disse...

Sónia,

Agradeço muito poder ler este texto antes da minha ordenação, hoje. Falo mesmo muito sério. Obrigado!

Para mim, hoje, é um dia especial de relação com Deus... ou de d'Ele para comigo.

No facebook, logo de manhã, partilhei a música "Aragem" dos Danças Ocultas: http://youtu.be/HeMMi6WL3Gk

Acompanhado deste texto:

No meu coração há “dança oculta” a acontecer. Nem sei bem o que sinto. Só me sai a palavra “anestesiado”. Sairei agora em passeio, para receber a “aragem” deste dia em que Deus vai mudar o meu modo de ser Paulo e assim poder humildemente servir e anunciar a Sua palavra, a Sua vida, os Seus sonhos no mundo de hoje. Agradeço muito a vossa presença [seja ela de que forma for], carinho e amizade. Na ordenação, pedirei a Deus por vocês e para que a minha vida, como diácono, seja contributo de ar fresco, muito ar fresco, e movimento suave na Igreja e no mundo.

Um beijinho!

Exploder disse...

"Ao fim de algum tempo percebi que me faltava qualquer coisa. Uma espécie de dispositivo com o qual ou se nasce ou não se nasce. Como o equipamento de série, dos carros."

Quanto a mim, ateu, tudo se resume a isto. Não fosse assim, como explicar que mentes brilhantes acreditem em algo inexplicável. Porque estão predispostas a isso. Até há uns cansava-me com tentativas de discussão com amigos e familiares crentes. Agora não. Porque não é uma questão argumentativa.

Ainda ontem fui à missa. Fui em homenagem ao meu falecido sogro. Um amigo que se viu levado pelo seu Deus cedo de mais e em grande sofrimento. Foi isto. Uma homenagem. Naquele segundo em que o padre disse o seu nome. Quanto ao resto, nomeadamente, a saudação autómata e a promoção do sacrifício com vista à salvação, a conversa é outra. Não tenho esse dispositivo. Graças a Deus!

Sérgio

loucos e companhia disse...

Acreditar em Deus é ter um colo disponível sempre que precisamos! :) Acho que a vida para os que não têm o dom da fé é muito mais difícil nas horas más e muito mais leve nas boas!

Inês disse...

Em Novembro passado esteve aberta ao público a exposição intitulada Fé, o grande método da razão. Está neste momento itinerante na Igreja de Nossa Senhora de Fátima (Av. de Berna) e responde bem a estas inquietações que todos temos.

Esta é a notícia de Nov: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=606556&tm=4&layout=121&visual=49

Inês disse...

Esteve em Novembro passado aberta ao público a exposição 'Fé, o grande método da razão' que está agora itinerante na Igreja de Nossa Senhora de Fátima e que responde bem a estas inquietação que todos temos.

Fica o convite para a visitar, sendo que me esclareceu muito sobre o que é a fé e qual o método pela qual está ao nosso alcance.

Esta é a notícia da sua inauguração em Novembro.
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=606556&tm=4&layout=121&visual=49