segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

O fim do merceeiro indiscreto

Costumo ir a uma mercearia aqui do bairro onde estive quase a deixar de ir por ter uma pequena embirração com um dos donos. Há uns tempos que não o via e hoje perguntei por ele à sócia. Lá me disse que se foi embora e, pelos vistos, foi a mal. Não me contou detalhes mas comprovei que a minha antena não se enganou (mais uma vez). E confesso que estou aliviada. É que quando lá ia e pousava as compras em frente à caixa registadora, ele olhava para tudo e dizia: então hoje vai ser um bolinho, hein? Eu, que até sou conversadeira, sentia aquilo como uma invasão. Não respondia. Outras vezes, mirava as compras e atirava um: com que então hoje há esparguetezinho à Bolonhesa, hum? Ou exclamava, com aquele tom folgazão e abusado: "com que então festa?". Aquilo começava mesmo a dar-me cabo dos nervos. Como podem imaginar, evitei sempre comprar lá produtos de higiene íntima… morria de medo do que ele pudesse dizer.

10 comentários :

Ines Monteiro disse...

Ohhh o homem só devia estar a querer ser simpático!

tummytuck disse...

ahahahahahaaha Nunca mais me esqueci desse gajo! Eu também lá ia.

Com certeza lembra-se de, no dia em que o seu marido fazia 40 anos, ter ido comprar os ingredientes para o bolo dele e o senhor, muito cali-calan, ter dito: "um bolinho, hein? Se não correr bem, pode sempre vir cá comprar mais ingredientes." ?

Paula disse...

Há gente muito intrometida.
Eu tenho a farmacêutica do bairro. Estava eu grávida do segundo quando fui comprar Nausefe (anti-enjoos).
Ela pergunta bem alto: - Então, está de bebé?
Se fosse segredo, já o bairro inteiro tinha ficado a saber...
Há certas coisas que nunca compra naquela farmácia...
vidademulheraos40.blogspot.com.

Olivia Batista disse...

O comércio tradicional no seu melhor!!!!
E contra mim falo, tenho uma lojinha no comércio tradicional (retrosaria) esta loja tem mais de 30 anos e quando fiquei com ela vinham constantemente perguntar sobre A, B ou C... ora eu nova por estas bandas dizia e continuo a dizer que não faço ideia... Oh escândalo dos escândalos!!! Um dia ainda tive de ouvir « você também não tem habilidade nenhuma para estar atrás do balcão, nunca sabe nada!!!!» Pois, é que eu sou assim, ouço confidências, converso, mas jamais ouso opinar sobre o que aqui se compra... desde coisas de bebé, a outras menos convencionais como panos e fitas para aquelas coisas do oculto por ex... Viver num bairro tem de passar por isso ou então as pessoas sentem-se "invadidas"!

Lucky gal disse...

Tenho tão mau feitio que era menina para ir lá comprar tampões e gritar eu na caixa "sim, amigo, são para a c**a".

Mary disse...

Ui eu detesto funcionários intrometidos seja em que loja for... eu nem gosto daqueles que vem perguntar se preciso de ajuda (se precisar peço não?)... podem dizer que é simpatia mas para mim é intromissão... detesto cada vez que entro numa loja e mal ponho um pé lá vem!!! Eu gosto mesmo de ir as compras e que ninguém se meta comigo!

Noone disse...

Ora nem mais, numa mercearia do mesmo género, o senhor gostava de comentar exactamente os produtos de higiene íntima.

Trazia pensos higiénicos normais, e ele perguntava sempre "mas não quer os super com alas???".

A sério. Morria de vergonha

Livros e outras manias disse...

Enfim, às vezes apetece dizer: "quero ser atendido por outra pessoa".

Margarida Ruivo disse...

Ai Sónia, nem me diga nada! Tenho uma peripécia parecida mas num restaurante. Já há muitos anos que vamos sempre para o Algarve e, no tempo das vacas gordas tínhamos mesa reservada para o jantar de todos os dias durante as férias. Ganhámos uma certa amizade ao dono e todos os anos lá íamos, era acessível e a comida era boa. Acontece que eu adoro sopa, ainda mais no verão, nada melhor para mim do que concluir a noite com uma sopa, um gelado e um grande copo de água. É claro que se só vender sopa o restaurante não ganha muito, mas pronto, era como eu me sentia bem, ainda mais o meu marido e os filhotes comiam outras coisas e todas as noites lá estavamos nós os cinco. Um dia o homem passou-se quando fizemos o pedido. Vira-se para mim e para o meu marido e diz assim: sempre sopa, sempre sopa, assim não vai longe! Só pode ser por causa da linha e essas tretas de mulheres que eu sei porque tenho lá em casa uma igual. E... o restaurante inteiro a virar a cabeça e a olhar para mim. Bem, nem sabia onde me meter, e ainda mais o meu marido ainda colaborou com o fulano e "vá lá, não queres escolher outra coisa, tens comido sempre sopa todos os dias! E eu, glup! Só me apeteceu fugir dali mas tinha os pequenos a quem dar apoio, acho que fiz uma cara mesmo má para o homem e insisti que queria sopa. Quando a trouxe quase a atirou para cima de mim, via-se mesmo que estava com má vontade. O pior mesmo foi o meu marido, que achou que eu podia mudar o pedido, que fui antipática ao insistir na sopa e que estraguei a noite, porque o homem estava a brincar. Perdi para sempre a vontade de ir àquele restaurante...

kombi disse...

Adoro o comercio tradicional mais pelos profutos frescos que me parecem ser de peq produtores aqui perto mas realmente não gosto dessas intromições, deixei de ir a um pq a senhora da caixa comentava, e contava, os chocolates que comprava, ok sou viciada e depois. Passei a abastecer-me em grandes superficies desse veneno......mas não deixo de sentir olhares, ou sou eu já com pancada.