sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

As ciumentas

As mulheres ciumentas topam-se à légua. Basta conhecer os namorados ou maridos para perceber se têm, ao lado, uma mulher insegura. Por exemplo, no outro dia fui a um jantar e notei que faltava um elemento. Perguntei por ele e alguém respondeu: "ah, como não era para trazer a cara-metade ele não pôde vir". Não pôde? Como, não pôde? "Ah… pois… é que a mulher é um bocado fera e ele não pode sair sem ela." Glup. "Não pode sair sem ela"? Porque é que fico sempre com a sensação de que se trata de uma relação condenada? 
Outra maneira simples e linda de se topar uma ciumenta, mesmo que não faça parte das nossas relações, é através do facebook. Se um amigo nosso faz "gostos" (ou likes, como prefiram) em tudo quanto é coisa de homem e nem um nos posts das mulheres… temos garota insegura no pedaço. Ou quando responde torto a um comentário singelo que uma amiga lhe deixa (ou nem sequer responde)… é certinho: há mulher susceptível a escrutinar todos os gestos, acções, frases ou… likes.
Eu já fui ciumenta, mas foi há uma vida. Acho que era ciumenta porque era uma miúda, por não saber bem o que queria, por achar que, eu própria, podia prevaricar a cada curva (o normal, nas idades da descoberta). No fundo, por imaturidade. Hoje não sou. Claro que se o homem principiasse a falar todos os dias e a todas as horas de uma flausina em particular era capaz de não ficar satisfeita. Mas fora isso, deixei-me de ciúmes. Sei que não há nem haverá nada que eu possa fazer para evitar uma escorregadela, se ela tiver que acontecer. O que posso fazer é o que faço: alimentar a nossa relação, apimentá-la, regá-la todos os dias. Se tiver que aparecer uma loira boazuda para me levar o bicho (ou uma feiosa interessante)… ela aparecerá e eu bem posso espernear e comprar-lhe uma trela e um açaime e um cinto de castidade, que ele vai embora à mesma. Por isso, custa-me um bocadinho compreender que haja relações tão frágeis que impliquem que um impeça o outro de fazer, de sair, de ser, fora da relação a dois. E acabo sempre a achar que a mulher que o faz é porque, das duas uma: ou tem uma auto-estima muito esfrangalhada, ou está sempre (ela própria) à beirinha de escorregar para outra cama qualquer. 

14 comentários :

Reflexos... disse...

Ou ele não deixa a mulher ir sozinha a jantares e afins e ela faz-lhe o mesmo.

Há de tudo!

Telhados Meios disse...

É por estas e outras, Sónia, que é uma das minhas bloggers favoritas e, sem dúvida, a mais genuína e assertiva.

Carla disse...

Eu não diria melhor!!!

Carla Isabel disse...

..lá por casa é assim, o meu como nao alinha muito em saidas cada um per si, fazemos a coisa, leia-se, saidas sempre a dois...ou melhor a 6!

kombi disse...

Ou é tão insegura e possesiva que leva a relação a dois com poder sobre o outro. Por aqui temos a vida a dois, a 4, com amigos, e vidas separadas, e é engraçado pois uma das vidas que ele tem não me identifico e qd raramente vou aos encontros semanais que têm vejo lá as mulheres meio a fazer frete mas depois dizem que têm que acompanhar os maridos para haver cumplicidade, e eu pergunto sempre, e se for as atividades de mulheres eles acompanham?

Silvia disse...

Cocó,

Acho que está a simplificar demasiado o problema, por exemplo, eu moro no Porto, mas não tenho cá família, tenho no Funchal. Nós temos 2 filhos (5+2 anos) e um bebé prestes a nascer. A família do meu marido é de cá, mas nunca se dispõe a ficar com os miúdos, aliás, vê-os uma vez a cada um ou 2 meses. Durante muito tempo, até há cerca de 1 ano e meio eu fui reticente em arranjar uma babysitter (porque não tinha confiança para colocar na minha casa uma desconhecida com a minha filha ou com os meus filhos, e pedir à minha empregada, que mora longe e não tem transporte próprio, implicava que ela ficasse em minha casa a dormir e nós perdessemos a nossa privacidade.
Adiante, o meu marido tem alguns jantares de trabalho, e se combinar jantar com os amigos jantares e saídas frequentes, a babysitter tenho de ser eu, que para além de ficar privada de poder desfrutar da companhia dele, não me posso dar a esses pequenos prazeres, ou se me der, no dia seguinte Às 6:30 da manhã, o meu pequeno despertador pede papa! E não se compadece com o meu cansaço.
Portanto, julgo que existem muitas razões pelas quais os casais optam por modificar os seus comportamentos, sobretudo quando existem filhos, e não se resumem a ciumes, até porque há coisas que não se conseguem evitar ( digo impedir que o nosso companheiro/marido nos traia).

Pipoca Arrumadinha disse...

Confiança é o fundamental!

. disse...

Já diz o ditado, quem desconfia não é de confiar.

Gelatina de morango disse...

O comportamento desse tipo de pessoas que não "deixa" o companheiro/a fazer seja o que for é algo que me ultrapassa, de todo. E para mim isso não é mero ciúme, é algo mais grave (não vou dar nomes às coisas para não ferir susceptibilidades).
Eu não conseguiria tolerar que homem algum me proibisse de ir onde quer que fosse, assim como eu era incapaz de fazer tal coisa. Antes de mais porque não mando nele (e portanto não tenho que "deixar" ou "não deixar" seja o que for) e depois porque, se não confiasse nele ao ponto de sentir tal necessidade, era sinal de que algo na relação estava muiiito mal.

Samantha disse...

Eu nunca fui ciumenta, aliás o meu marido quando começamos a namorar achava estranho :P. Mas quando vejo mulheres fazerem cenas horrendas por coisas às vezes tão simples como o marido ir a festas de natal do trabalho, fico parva. E também penso se conseguirão ser felizes com tanta desconfiança.

M.P. disse...

Isso é doentio. Eu gosto muito de umas jantaradas de vez em quando com amigas e o meu marido também tem os jantares dele. Não stresso nada com essas coisas e estou 100% de acordo com o seu ponto de vista. Graças a Deus tenho um marido impecável que não resmunga de ficar sozinho com o miúdo para eu ir espairecer as ideias de vez em quando.

Raquel Mendes disse...

Eu cá acho que tem que existir uma harmonia. Nem a mais nem a menos. :)

Ju Figueiredo Silva disse...

Concordo completamente contigo. Como disseste o que tiver que acontecer acontece e aliás eu não quero que ele deixe de fazer alguma coisa porque eu o prendo, eu quero que ele não faça porque não quer.

Paula disse...

É o que eu também sinto: ser ciumenta consome demasiada energia e não evita nenhuma desgraça, pode até fazê-la acontecer mais cedo!
vidademulheraos40.blogspot.com.